25/04/2009

Do que eu mais sinto pena devo obter prazer. Devo obter prazer de todos esses símbolos que significam algo humano e provém de algo extremamente irracional apesar de que o racional é dominante atual e vigente de todas as regras para "uma boa existência contemporânea". Eu não consigo ser eu mesmo, eu não consigo dizer a verdade, eu me seguro para depois pensar que poderia não ter escondido, segurado, hesitado. Essa sensação não é nada boa, mas algo me impele para continuar fazendo isso, e talvez seja alguém nada pior que o hábito. Entendo agora a premissa para se interessar por alguém, pois isto está acontecendo ante meus olhos. Idealização de momento, arrependimento, compensação, interesse criado a partir de interesse. Me sinto culpado, culpado por me interessar. O que me vem logo após, raciocinando um erro ser, é repelir-me para longe, evitar até que se dissipe ou pelo tempo ou pela acomodação da impossibilidade. Interessar-se por alguém gera atritos demasiados, atritos desnecessários, porém sei que não sou alguém para julgar isso. AFINAL SOU UM MALDITO JOVEM DE 18 ANOS SUSCETÍVEL À PAIXÃO, ESSA MALDIÇÃO. Perco toda minha credibilidade, toda minha vontade de estipular por lembrar de que jovem sou, de que isso é um movimento previsível digno da juventude assim como a inconsequência. E estipular é tão digno do racionalismo, eu não aguento mais ismos. Por que é tão difícil vulnerabilizar-se, aceitar o interesse? Independente de quais condições, ou ausente destas, por quê? Eu sei muito bem, é muito mais fácil ficar de braços cruzados! Mazoquismo, maldita palavra. Mazo, maz, maldição. As coincidências são mesmo umas desgraçadas. Ainda bem que estou habituado! Hahahaha. HÁBITO FILHO DA MÃE, EU VOU TE MATAR DESGRAÇADO. Não vai, não vai, hahahahaha, não vai! Érico, você vai fazer o óbvio, vai se afastar, vai fingir que não é com você. NÃO VOU, SEGUNDA FEIRA EU TE PROVO MINHA LIBERDADE! Mesmo encarcerado existe a liberdade, mesmo que seja uma liberdade limitada.

24/04/2009

Chega de ismos, por favor. Só o homem do suéter vermelho pode ensinar até onde você se dignifica. Pode ir além da vida. Entendo agora como já limitei meu caminho, como ele já era limitado antes de mais limites impostos por mim. Não entendo porque é necessário me habituar. É como se eu pensasse como Camus muito antes de lê-lo. É como se eu sentisse o chamado da floresta muito antes de saber quem é Buck. Alguma coisa me puxa para fora, para fora de mim. Alguma coisa me diz que minha estrutura mental me impede de ser livre. Meus sentidos só me fazem um prisioneiro que está acostumado a ver sombras se movendo na parede, e por isso, pensa que é livre. Eu sinto vontade de correr, de sonhar com o meu "eu" mais primitivo, mas não consigo. Penso nos malditos pensamentos condicionados ao dia a dia. Isso me irrita profundamente, me irrita profundamente tudo possuir sua maldita função, as pessoas se inibirem na juventude para quando estarem velhas, ser tarde de mais para fazer o que sempre quiseram. A perfeição existe, ela é discreta, rara, e não aceita que exijam dela mais que um momento, uma exígua e breve fração de tempo, que de tão raro altera a sensação cronológica e cria um estigma eterno na memória; o marco dos marcos. As pessoas escolhem o que é mais cômodo, cansam de esperar pois pensam que se deve esperar por algo. Uma coisa é certa: findará a vida, a chama com cada vez menos fagulhas, lânguida, esgueira-se na escuridão, ela não ilumina mais; ela se apaga. Mas mesmo assim, insistimos em agir como se houvesse muito tempo, dando tempo ao tempo, arruinando cada momento pois muitos ainda virão... Oh juventude, que amores, que vida temos pela frente! Essa é a hora de errar, essa é a hora de escolher, justificar-se com a inconsequência, tornar solene um relacionamento, criar jogos de sedução, tomar uma sopa de joio e trigo. Quando se é jovem, é permitido desperdiçar o tempo, e nós sabemos muito bem fazer isso. Mas há outra saída, sim. Suprima seus anos dourados, isole-se de tudo e todos, ascenda economicamente para quando estiver acima dos trinta anos poder deleitar-se com o sacrifício. Agora vou fazer tudo que sempre quis. Como se pudesse recuperar o tempo perdido, como se houvesse meios de compensá-lo. Quando estou absorto em leituras, vem-me a ideia: estou a perder tempo, estou me portando como Aureliano na ouriversaria. Este, constrói peixinhos de ouro para depois derretê-los e construir mais peixinhos dourados. Comigo é a mesma coisa, só que com teorias. É um ciclo vicioso, o faço para esquecer, o faço para esquecer minhas paixões, para não ver o sol se por e ter lembranças, para existir somente para mim, para me esquecer do que importa para mim, mas que supostamente não deveria, ou dói por ser importante. Estou progredindo em círculos, círculos cada vez mais perfeitos. Desconstruo tudo que construí para analisar as peças, as partes. Mas percebo que são apenas fragmentos de um passado remoto, e na hora de reconstruir, não me lembro a ordem. Meu passado embaralhado, faltam muitas cartas. É como uma longa espera, pensando bem, é uma espera. Fingir se ocupar de vários modos para driblar o iminente é apenas ilusão. A partir do ponto que aceito, penso comigo mesmo: A derrota é iminente, a integridade ausente, e a dignidade aparente. Não há como fugir, nem para onde ir. A vida é uma tragédia, grega ou não, bela ou não, temos que aceitar. O ser solitário dentro de cada um de nós tenta nos dizer um caminho milenar para seguir, supostamente progredir. Somos cárcere do gene, somos um vírus bonito. Vamos nos espalhando, nos adaptando, autoaperfeiçoando, vamos nos espalhando, vamos, vamos. Alguns são como as tênias, outros como as lombrigas; são todos bonitos por fora, mas piores que a peste negra ou a gripe espanhola por dentro. Um círculo não existe, nem minhas vontades. Sou um cárcere protetor de algo que perpetua por motivos desconhecidos. Nascemos ao acaso, vivemos por acaso e morremos pelo acaso.