13/01/2011

come back down
i'm waiting
here...

12/01/2011



Posso sentir dentro de mim, como o inverno.
Posso provar com minha vida.
Não é falta de sorte.
Sei o fardo que sou.
E se eu fosse embora, não faria diferença.
Assim como não fez quando cheguei.
Sou um fardo invisível.
Estou sozinho de trincar os ossos, num mundo que eu criei.
Não mereço nem minhas próprias lágrimas...
Apenas um sonho apagado e esquecido que comprometi porque acreditei...
O que me fez desistir de tentar?
Nem isso consigo entender.
Faço o melhor que posso, afasto a quem prezo minha insolente presença...
Não faz diferença quando irá acabar.
Nem quando começou.
Nasci, vivo e vou morrer sozinho.
É a melhor liberdade que posso dar a qualquer um.
Me abandonando de mim.
everytime i think of her
pins me to the underground.

09/01/2011

Tenho sono, sono me tem, temos um ao outro e apenas um ao outro nos tem. Nos temos ao sonho, tememos não tê-lo, tenho muitos quando lembro ter. Dislexia momentânea, tudo me gira e gira os olhos ao se fecharem, será que vou sonhar? E em transe transição, me haverei com alguma revelação? Como uma droga que me cansa da realidade, como uma febre que me impede pensar, pensa impedindo. Tenho sentido, tenho. Sim, me faça sonhar, me mude de mundo por algumas horas de vida para meus atos me responsabilizar, mesmo em sonho, do que estou falando? Delírios momentâneos. Tenho alguns amores, sim, e o que tem isso?? Não são vergonhas, mas escondo, sim. São tesouro pra se guardar, sim. Tenho alguns, sim, não preciso de muito, mas preciso de tesouros, sim. Veja, veja o horizonte, ele engana! Ele pestaneja diante de nossa impassibilidade, sim. Ele tem medo, medo de ter seu fim! Ó, por muitos eu duvidaria, mas não de ti, sê meu amigo, tome, beba. Agora me conte algumas partes do que fecha seu sistema de pensamento e sentidos. Beba, beba! Até entortar suas linhas... Venha, levo te pra casa, sim. Temos alguns amores, e o que tem? Algo me diz que estou passando por perrengue, sei do que falo? Nunca o sei. Vivo em que mundo, em que mundo estou agora? Em qual parte da estrada, e se eu me perco? Já me perdi. Tenho sono, horizonte, vá dormir. Vou também, tenho alguns amores pra sonhar. Sinto que sou outro porque não sou o mesmo, algo me afeta, algo que pode voltar, mas nunca o mesmo...

romanesco in persona

Um rombo se rompe, um trem voador harpeja em minha cabeça, a brisa assovia o teu nome
De passageiros é superado só por suas muitas passagens, assovia em azul esverdeado...
Turquesa de meus sonhos, sois deveras muito ao meu valete roto, esse tempo que consome!
Minh'alma orbita a si e faz elipse em meu almejo de vagabundo, quero-te por tudo

Quando acordo por lençóis entrelaçados em minha garganta, vinho vômito se espalha
As paredes pintadas como telas testemunhas de um pequeno abstrato absurdo
Olham-se e, pequenos risos! Tramam e são tramadas, mas é esta a tal que as aparvalha.
Encontro-me noutro tempo, inóspito, tempo que me permita exaltar o exaltado

Tenho histórias para acender lareiras e fazer faiscar! Mas não consintas com o real
Ai! Se torna-me ficção para seu julgamento vou direto ao submundo dos que ainda vivem
De lendas que não inspiram o acontecer para então n'outro modo acontecer...

O impossível esguicha de meus olhos, cega-me e faz-me ver quimeras oníricas, oriente!
Tenho sonhos para alimentar causas perdidas, criar atmosferas sônicas de uma nota só
Repito-os mil vezes, milhões, até se tornarem uno, tu, cousa eterna em que hei e vou.
Sou uma folha em branco
Rabiscos, palavras, versos, desenhos
Estão fora disso...
A folha deixará de existir

Mas não o branco
Retornarás do que veio
Do que veio retornarás
Pouco importa quem sou.

E apesar do que sinto me importar
É apenas uma folha amassada...
Do falso sorriso de Sísifo

Em seus círculos cada vez mais perfeitos
Precisamente imperfeito
Perfeitamente impreciso.

Beijo-te em sonho e então pergunto "Qual o sentido da vida?", não parece te importar, nem a mim, mas encaixou como a última peça que faltava. Não me importa não te importar, estarei esperando, por perto, em algum lugar. Ao passo de que até em sonhos minha prudência, por homeopatia, tenta me dragar à realidade, eis que acordo. Desajustado na cama, o lençol amassado ao chão, o que se passa por real me faz querer voltar, mas não consigo... É uma jornada acordar e conectar todos os pontos das coisas que você não pode fazer por mais que queira aos seus hábitos diários. Aos poucos, o que sonhei se passa em pequenos flashes, vagas lembranças. Será que ainda tenho alguns minutos pra continuar deitado? Uns dez minutos e vou escovar os dentes. Afinal, qual o sentido da vida? E o que é que vou comer agora?
O ponto de ônibus é o porto de meus dias. Minhas melhores reflexões, depois das que tenho após tomar um pé na bunda ou encontrar uma pessoa que tem linhas de sentimentos ou ideias que se cruzam sem dar nó às minhas, são feitas esperando a frota cotidiana se arrebatar na minha falta de crença da rotina. Grandes janelas, velocidade e movimento, mas completa falta de ação. Rostos que talvez eu veja todos os dias ou que vi uma vez apenas, que me importa? São rostos com a mesma expressão. É banal ao ponto de que transpassa ao relato, melhor mudar de assunto.
Não consigo mudar de assunto, eu nunca mudei de assunto em toda minha vida. Às vezes acabo pulando corda com a linha de minha vida até então. Também tenho a impressão de que tenho feito isso desde sempre. E é mais ou menos aqui que eu perco o foco narrativo e tudo volta a ser a impessoalidade que insisto. Tem uma ou outra coisa suspensa na distância das estrelas que me evocam isso ou aquilo, que eu supostamente deveria deixar perto de mim e sentir com elas. Mas pareço-me muito com um oceano, muito do mesmo. A palavra mesmice chega a irritar. São 40 minutos de viajem, é muita coisa, essa merda de vida tem que ter um sentido.
Tenho essa coisa meio zen meio espadachim, meio mago meio Chico Chavier de achar que a mente é uma coisa muito forte, tipo um megazord. Tenho essa coisa de tentar ser engraçadinho também, mas nem sempre. É que de vez em vez você pega uma coisa na primeira olhada. Aí passa na cabeça que nem filme. Você sabe até como vai acabar. E não adianta fazer cena adicional que sabe também que não vai adiantar. Você deixa de ser você e pretende ser outra pessoa, como nos filmes. É uma possibilidade de alternar a realidade, como nos filmes. Pra um mundo onde você acredita que toda essa baboseira megazord vai realmente te levar pra algum lugar, como se a vida tivesse um sentido, como nos filmes.
Como isso daqui não é livro da Clarice, tá na hora deitar-me e sonhar que te beijei e depois perguntei "Qual o sentido da vida?". Sei que não cola muito, mas em sonho qualquer coisa cola. Eu já sonhei de tinha uma mão mutante na cintura e outra que saía da minha barriga. Isso é porque a censura é 12 anos. Do resto de meu dia, nem vale relatar, só penso no que não deveria pensar. Penso que não deveria pensar também. Costumo a pensar que sou mau por isso, até porque não deveria pensar nisso. Passa na cabeça que nem filme. Mas nada disso vai dar sentido em perguntar "Qual o sentido da vida?", só se eu imaginar isso em sonho, como num filme, a te beijar.