O que me restou, além de nada
Um papel amassado com algum recado
Pra alguém que nunca existiu.
O barulho efervescente
Do tempo que passou.
Um zunido no olvido
Diz que é além do que se viu
Se senti, foi resposta involuntária...
Vontade de viver, só meu corpo tem.
Sonhei com serpentes, um templo-chácara...
Um sapo engoliu completamente um peixe grande
E um filhote de pato, ferido, não engolia nada
Ia morrer.
Um animal tão delicado, procura na água
O que não encontra no ar.
E as serpentes não mordiam, dormiam
O sono que tive elas compensaram
Não acordei disposto.
Pensei qualquer coisa pra se pensar
Que quer que saia, não será como imaginei
Se seria, já não é mais
Sou o ser que deixei.
Quebrei um vaso de rachaduras.
Uma serpente grande enrolou em meus braços
Não tive medo. Formaram-se laços
Alguma coisa que fiz, influiu ali
Mas não entendi.
Eu só encontrava varas de pescar
Queria uma lança, queria ação
Mas parecia um lugar tranquilo, ancião
Onde tudo fluia devagar....
Mas meu sonho me foi como que rápido
Acordo deslocado, faltou algo...
Vejo qualquer sonho por fora de meus sonos
Mas nunca é meu.
Foge voando.
Este frio fractaliza meu devaneio,
Nunca é sempre e sempre é nunca.
E o zunido eterno não é o mesmo de antes.
É a estrada noturna que leva ao desconhecido
São as ideias que tive de um templo esquecido
O tempo, sim, o tempo me passa aos entrecortes
Um segundo que foi infinito
E uma eternidade que era de outra, recortes...
Acordado me resta o corpo, uma leitura, algum som
Toda a apatia de ser passivo e descuidado
Todo o céu só visto através de janela
O tempo que desperdiço a pensar no desperdício
Que é passar o tempo a pensar no tempo que passa
Fora das janelas de meu céu
Passam carros nas ruas, penso em luas
Penso que homem algum pisou nelas
E eu não serei o primeiro.
Penso apenas em que seria mais fácil não pensar.
Mas me importo com opostos atraídos
Me importo com as maiores desimportâncias
Estou vivo por acaso
Através de um céu que dá numa janela...
Andando em fiapos de lembranças que não vivi
Me equilibro em um deles
Mas caio novamente no infinito que não existe.
Como imaginar o que não penso? Como seria?
Qualquer coisa além de mim.
Medir falta de medida desmede o que foi medido.
19/03/2011
13/03/2011
Foi numa música antiga em que éramos juntos
Sentindo muito em não mais ter sentido
Escorria para o bueiro...
Passou o carro com aquela música
Em que éramos luz de qualquer poste
Que agora se apaga nas vezes que ali passo...
Me lembrei.
Que me veio esse relato, sorrateiro...
Eu senti o gosto de frustração amarga
Saindo de minha boca em recitar o ritmo
Que não mais consigo acompanhar...
E o que sobrou foi um sinto muito
Repetido e ecoado, em alguma parte a engasgar
Partido num soluço que guardei para mim.
Sentindo muito em não mais ter sentido
Vi o meu sonho ali,
Escorrido.
Escorrido.
Na rua abandonada com o poste apagado
No bueiro de tudo que um dia vivi
Saiu um morcego-lembrança assustado
Sem saber que também era susto.
Não se impressione em me encontrar sentado
Ralando meus sapatos no asfalto
Em uma madrugada não muito esperada
Em que esperei qualquer espera de vulto
Por dentro eu era esburacado
Mas luz nenhuma conseguiu atravessar...
Meus olhos não enxergaram no escuro
Me escutei em cada palavra não dita
Que foi se deixando até acabar
Morreu ali,
No meio da rua.
No meio da rua.
Escorria para o bueiro...
Passou o carro com aquela música
Em que éramos luz de qualquer poste
Que agora se apaga nas vezes que ali passo...
Me lembrei.
Me é estranho (I)
I
Vivo num tempo em inconstante descompasso
Nostalgias juntadas de um passado inexistente
Amores impossíveis, reais e acontecidos, o ente
Que um dia se materializou no cadente espaço....
De um passado falso que profere um além de quem
Se faz inteiramente descomposto por possíveis
Poderes de porventura por tais vezes agradáveis...
A dor que evitei, sei que agora sinto
A pessoa que evitei é a que mais amo
O passado que não vivi é o que mais chamo...
Os versos que não verti me foram afora
De uma aventura verde que vivi adentro
Flutuando em mil outras vidas que lustro
Em lustre que reluz vidas de outrora...
O amor desconfiado que senti um dia
Fez-se poente dos sóis de luz que me negaram
Nas noites das luas que por ti afirmei que eram
Além de quem uma vez julguei como valia...
A pena e todas as levezas do mundo-espelho
Refletido das luzes que me transpuseram
Noites-dia em bate e volta que me vieram...
Os impropérios medidos em confiança minha
De todos os impérios que um dia construídos
Em dúvida fizeram da minha confiança, ruídos...
Muito pós linha dos que chamados se tornam bárbaros
Venho curtido por vidas aquém do desconhecido
Por muito de si para si, pior inimigo tem sido.
Vivo num tempo em inconstante descompasso
Nostalgias juntadas de um passado inexistente
Amores impossíveis, reais e acontecidos, o ente
Que um dia se materializou no cadente espaço....
De um passado falso que profere um além de quem
Se faz inteiramente descomposto por possíveis
Poderes de porventura por tais vezes agradáveis...
A dor que evitei, sei que agora sinto
A pessoa que evitei é a que mais amo
O passado que não vivi é o que mais chamo...
Os versos que não verti me foram afora
De uma aventura verde que vivi adentro
Flutuando em mil outras vidas que lustro
Em lustre que reluz vidas de outrora...
O amor desconfiado que senti um dia
Fez-se poente dos sóis de luz que me negaram
Nas noites das luas que por ti afirmei que eram
Além de quem uma vez julguei como valia...
A pena e todas as levezas do mundo-espelho
Refletido das luzes que me transpuseram
Noites-dia em bate e volta que me vieram...
Os impropérios medidos em confiança minha
De todos os impérios que um dia construídos
Em dúvida fizeram da minha confiança, ruídos...
Muito pós linha dos que chamados se tornam bárbaros
Venho curtido por vidas aquém do desconhecido
Por muito de si para si, pior inimigo tem sido.
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