13/03/2011

Foi numa música antiga em que éramos juntos
Que me veio esse relato, sorrateiro...
Eu senti o gosto de frustração amarga
Saindo de minha boca em recitar o ritmo
Que não mais consigo acompanhar...
E o que sobrou foi um sinto muito
Repetido e ecoado, em alguma parte a engasgar
Partido num soluço que guardei para mim.

Sentindo muito em não mais ter sentido
Vi o meu sonho ali,

Escorrido.

Na rua abandonada com o poste apagado
No bueiro de tudo que um dia vivi
Saiu um morcego-lembrança assustado
Sem saber que também era susto.
Não se impressione em me encontrar sentado
Ralando meus sapatos no asfalto
Em uma madrugada não muito esperada
Em que esperei qualquer espera de vulto
Por dentro eu era esburacado
Mas luz nenhuma conseguiu atravessar...

Meus olhos não enxergaram no escuro
Me escutei em cada palavra não dita
Que foi se deixando até acabar
Morreu ali,

No meio da rua.

Escorria para o bueiro...

Passou o carro com aquela música
Em que éramos luz de qualquer poste
Que agora se apaga nas vezes que ali passo...

Me lembrei.

Nenhum comentário: