15/11/2009



Patrick O'Hearn - Where We Once Stood
Não há espera, apenas fim; não há glória, apenas o supor; não há vitória, apenas o retilíneo. Não existe o bem, nem o mal; não existe alegria, nem tristeza. Existem impressões, partes, ambivalências, dualidade, fragmentos de existências remotas estruturadas em código, existimos em partes, mas somos um todo. Um todo de partes de outras partes. E disso tiramos proveito, a única lei que não se pode transgredir, é existir a partir do que se é: limitado. Mas há um som agudo e um horizonte que me fazem sentir completo. Estar de acordo com a condição, não é cômodo pois dói. Não espero, mas não faço por me beneficiar. Fui e sou, estou a ser. Ser o que já fui, o que ainda posso vir a talvez, algum dia, talvez não em vida, ser. Pois sou muitos em um, um em muitos, faço diferença e nunca fiz, mas ainda assim, para mim ou não, farei.

12/11/2009

A poesia não é para quem lê, sim de quem lê; não é para quem escreve, e sim de quem escreve.
Se fosse para descrever, não uma situação, não um sentimento, não o ato em si, qual seria o alento?
A rima, o lirismo, o que priva, ou o que sacrifica? Se inexiste, o globo ainda circunda a si. Átomo universal, elíptico e exato, existente nas minhas inexistências e na plena igorância, eu suponho. A cada existência que privamos em prol da matéria, ou de todas as conjecturas possíveis a partir desta; projeções e expectativas; momento epifânico e nostalgia, é onde sentimos o apoio da vida recair. Não pela perda, mas o deleite criado pelo que se priva. A demanda varia, o tempo nunca, ele está acima dela e cobra diminuindo o espectro de possibilidades. O vórtice que a cada segundo está a se apagar, é o mesmo que cria a partir da troca de sentidos, experiências, imaginação. A batalha não é perdida se o que se cria da destruição a compensa. Turbilhão entre o criativo e o fim, que este justifique o antecedente, mas não foi assim que Maquiavel pensou. Mas a mim, o fim justifica o início. O meio é apenas o que existe entre eles e as ligações para que façam parte de uma unidade, verossímil ou não. A prerrogativa justifica o método, e é por acaso que acaba por se fazer. Acaso genético, neurológico, ambiental, empírico...

29/05/2009

Sonhos

Eu tive alguns sonhos vívidos nesses dois últimos dias. Anteontem sonhei que estava em um shopping que ficava ao lado de um pântano e que para entrar nele tínhamos que ir nadando. Nele, gravava-se um telejornal das oito e a praça de alimentação era apenas de pizzarias. Lembro-me de perder a saída, perdi-me. Uma zigurate cilíndrica de centenas de metros, verde musgo. Subi pelas escadas giratórias, lembro, lembro que caí algumas vezes, morria e ressucitava, como em um jogo. No alto, fui enganado, não era a saída, não há saída. De hoje, foram dois sonhos. O primeiro, lembro vagamente... Eu estava conversando com alguém, sobre todos possuírem um Tyler Durden, mas que o meu, eu o via como uma pessoa serena, serena e com o espírito quase que adormecido, como que passiva. Sean Connery era agressivo e acertava alguém com um pé de cabra em meio a uma torrente de água. O local qual eu conversava com alguém, que penso ser meu primo, lembrava aquelas pequenas cidades, com o chão ladrilhado, vários turistas nas ruas, mulheres estonianas, suecas, húngaras, cabelos quase brancos. Fui a uma loja comprar ou concertar alguma coisa, não me lembro. No segundo sonho, fui à Cuba. As portas não precisavam ser trancadas. Não se podia usar all stars, apenas um tênis que lá se produzia. Apesar disso só se boicotava as marcas da época da revolução. Havia algo de corrompido no ar. Em uma espécie de restaurante, uma velha senhora fez a melhor broa que provei na minha vida. Mas lembro que voltei para comer novamente e não era grande coisa. Eu juro que senti aquele gosto, o recheio era como o de um sonho (o doce), mas havia algo de orgânico, como que uma erva ou planta, que dava um leve amargo ao final. Foi o que mais me chamou atenção em meu sonho. sentir o gosto de uma comida imaginária e lembrar-se dele. É um dos grandes motivos para que eu não acabe com a minha própria vida. Lembro que antes de ir embora minhas coisas haviam sido deixadas em quartos públicos para visitantes de Cuba. Vendia-se tudo da Boticário e Natura por lá, é a America do sul consumindo a si mesma. Quero deixar bem claro que acredito que esses sonhos se devem às doses de mirtazapina. Eu realmente não sinto diferença se não ao fato de ter sonhos que me lembro bem. Mas acredito que lembro bem pois dormi muito nos últimos dois dias. Quando você acorda mas não levanta, e continua deitado, como se estivesse acordado e dormindo ao mesmo tempo, é bem mais fácil se lembrar dos sonhos. É como se eles estivessem na superfície do desconhecido, como se por alguns instantes eu pudesse andar de mãos dadas com o inexplicável. Ele parece ser bem agradável, por sinal um gentleman. As reticências são para dar um charme imensurável de sua postura exemplar...

03/05/2009

2046, China.

O amor é uma questão de timing: de nada vale encontrar a pessoa certa muito cedo ou muito tarde. SSHIIITE THAT'S SO TRUE ! Awwwww :/

Em outras palavras: momento.

25/04/2009

Do que eu mais sinto pena devo obter prazer. Devo obter prazer de todos esses símbolos que significam algo humano e provém de algo extremamente irracional apesar de que o racional é dominante atual e vigente de todas as regras para "uma boa existência contemporânea". Eu não consigo ser eu mesmo, eu não consigo dizer a verdade, eu me seguro para depois pensar que poderia não ter escondido, segurado, hesitado. Essa sensação não é nada boa, mas algo me impele para continuar fazendo isso, e talvez seja alguém nada pior que o hábito. Entendo agora a premissa para se interessar por alguém, pois isto está acontecendo ante meus olhos. Idealização de momento, arrependimento, compensação, interesse criado a partir de interesse. Me sinto culpado, culpado por me interessar. O que me vem logo após, raciocinando um erro ser, é repelir-me para longe, evitar até que se dissipe ou pelo tempo ou pela acomodação da impossibilidade. Interessar-se por alguém gera atritos demasiados, atritos desnecessários, porém sei que não sou alguém para julgar isso. AFINAL SOU UM MALDITO JOVEM DE 18 ANOS SUSCETÍVEL À PAIXÃO, ESSA MALDIÇÃO. Perco toda minha credibilidade, toda minha vontade de estipular por lembrar de que jovem sou, de que isso é um movimento previsível digno da juventude assim como a inconsequência. E estipular é tão digno do racionalismo, eu não aguento mais ismos. Por que é tão difícil vulnerabilizar-se, aceitar o interesse? Independente de quais condições, ou ausente destas, por quê? Eu sei muito bem, é muito mais fácil ficar de braços cruzados! Mazoquismo, maldita palavra. Mazo, maz, maldição. As coincidências são mesmo umas desgraçadas. Ainda bem que estou habituado! Hahahaha. HÁBITO FILHO DA MÃE, EU VOU TE MATAR DESGRAÇADO. Não vai, não vai, hahahahaha, não vai! Érico, você vai fazer o óbvio, vai se afastar, vai fingir que não é com você. NÃO VOU, SEGUNDA FEIRA EU TE PROVO MINHA LIBERDADE! Mesmo encarcerado existe a liberdade, mesmo que seja uma liberdade limitada.

24/04/2009

Chega de ismos, por favor. Só o homem do suéter vermelho pode ensinar até onde você se dignifica. Pode ir além da vida. Entendo agora como já limitei meu caminho, como ele já era limitado antes de mais limites impostos por mim. Não entendo porque é necessário me habituar. É como se eu pensasse como Camus muito antes de lê-lo. É como se eu sentisse o chamado da floresta muito antes de saber quem é Buck. Alguma coisa me puxa para fora, para fora de mim. Alguma coisa me diz que minha estrutura mental me impede de ser livre. Meus sentidos só me fazem um prisioneiro que está acostumado a ver sombras se movendo na parede, e por isso, pensa que é livre. Eu sinto vontade de correr, de sonhar com o meu "eu" mais primitivo, mas não consigo. Penso nos malditos pensamentos condicionados ao dia a dia. Isso me irrita profundamente, me irrita profundamente tudo possuir sua maldita função, as pessoas se inibirem na juventude para quando estarem velhas, ser tarde de mais para fazer o que sempre quiseram. A perfeição existe, ela é discreta, rara, e não aceita que exijam dela mais que um momento, uma exígua e breve fração de tempo, que de tão raro altera a sensação cronológica e cria um estigma eterno na memória; o marco dos marcos. As pessoas escolhem o que é mais cômodo, cansam de esperar pois pensam que se deve esperar por algo. Uma coisa é certa: findará a vida, a chama com cada vez menos fagulhas, lânguida, esgueira-se na escuridão, ela não ilumina mais; ela se apaga. Mas mesmo assim, insistimos em agir como se houvesse muito tempo, dando tempo ao tempo, arruinando cada momento pois muitos ainda virão... Oh juventude, que amores, que vida temos pela frente! Essa é a hora de errar, essa é a hora de escolher, justificar-se com a inconsequência, tornar solene um relacionamento, criar jogos de sedução, tomar uma sopa de joio e trigo. Quando se é jovem, é permitido desperdiçar o tempo, e nós sabemos muito bem fazer isso. Mas há outra saída, sim. Suprima seus anos dourados, isole-se de tudo e todos, ascenda economicamente para quando estiver acima dos trinta anos poder deleitar-se com o sacrifício. Agora vou fazer tudo que sempre quis. Como se pudesse recuperar o tempo perdido, como se houvesse meios de compensá-lo. Quando estou absorto em leituras, vem-me a ideia: estou a perder tempo, estou me portando como Aureliano na ouriversaria. Este, constrói peixinhos de ouro para depois derretê-los e construir mais peixinhos dourados. Comigo é a mesma coisa, só que com teorias. É um ciclo vicioso, o faço para esquecer, o faço para esquecer minhas paixões, para não ver o sol se por e ter lembranças, para existir somente para mim, para me esquecer do que importa para mim, mas que supostamente não deveria, ou dói por ser importante. Estou progredindo em círculos, círculos cada vez mais perfeitos. Desconstruo tudo que construí para analisar as peças, as partes. Mas percebo que são apenas fragmentos de um passado remoto, e na hora de reconstruir, não me lembro a ordem. Meu passado embaralhado, faltam muitas cartas. É como uma longa espera, pensando bem, é uma espera. Fingir se ocupar de vários modos para driblar o iminente é apenas ilusão. A partir do ponto que aceito, penso comigo mesmo: A derrota é iminente, a integridade ausente, e a dignidade aparente. Não há como fugir, nem para onde ir. A vida é uma tragédia, grega ou não, bela ou não, temos que aceitar. O ser solitário dentro de cada um de nós tenta nos dizer um caminho milenar para seguir, supostamente progredir. Somos cárcere do gene, somos um vírus bonito. Vamos nos espalhando, nos adaptando, autoaperfeiçoando, vamos nos espalhando, vamos, vamos. Alguns são como as tênias, outros como as lombrigas; são todos bonitos por fora, mas piores que a peste negra ou a gripe espanhola por dentro. Um círculo não existe, nem minhas vontades. Sou um cárcere protetor de algo que perpetua por motivos desconhecidos. Nascemos ao acaso, vivemos por acaso e morremos pelo acaso.

05/04/2009

Quando Úrusula, em seu leito, grita "porra" e aponta para o seu peito, nunca me senti tão exposto a mim mesmo em toda a minha vida. Como na neve em que se para, para ouvir o triste violino, sem medo de mostrar sua solidão em forma da cor branca da neve que habita várias mentes como temática libertária. Será a solidão a mais sólida forma de liberdade?

22/03/2009

O "eu" solitário que se nutre somente de si só será sufocado por um grande pranto ou um grande sorriso.

Ainda vivo


Estou tendo experiências divertidas com sonhos. Não sei o que preciso para me lembrar deles, mas ando me lembrando da maioria. Isso é bom. Um sonho regular que tenho é de ter a impressão de que estou acordado mas meu corpo está desligado, não consigo mover um músculo por mais que eu faça força. Outra experiência curiosa é fechar os olhos, e aparecer imagens diante de mim, mas quando tento abrir lentamente os olhos, elas somem. Eu queria ser um caso à parte, como Jack London. Já que não sou, melhor me conter com o que tenho. O meu amor, o meu amor, o meu amor mudou de pessoa para o que não representa matéria. O meu amor não será desperdiçado em matéria, o meu amor será desperdiçado em uma idéia. As coisas vão bem comigo, estou tendo tempo para me conhecer melhor, mas tendo sempre à solidão. Como disse o Agente J em MIB, melhor amor perdido do que nenhum. Isso me tocou como o que eu nunca verei em terra firme. As coisas não vão assim tão bem comigo, elas simplesmente vão. Eu não me importo de ir, contando com que alguma coisa aconteça. O culpado sempre me aparece quando olho no espelho, eu não sei o que fazer. As coisas, pra falar a verdade, não vão muito bem como eu falei há pouco. Uma sombra me segue nos dias enolarados e nas noites iluminadas, não consigo descobrir o que ela quer ou o que ela ali faz. O gosto da fruta está no contato com o paladar e não na fruta, como eu nunca pensei nisso antes? As coisas não vão nada bem. Eu sinto muito, e excessos, não são bem vindos. Mas de que adianta levar tudo em um nível mediano e estabilizado se o pulsar vai para cima e para baixo, contando cada segundo que subtrai o meu tempo, como uma bomba relógio. Quantos pessoas deixarei de amar, quantas não amarei, quantas amarei, e quantas delas nunca saberão o quanto me importei. O maldito equilíbrio não me faz de vítima, por mais que assim eu pense. Nada é por acaso, coincidências não existem, eu já devia saber disso há muito. Espero não morrer doze anos mais cedo por crer que o comum são as coisas não darem certo, por mais imparcial que eu tente ser.

07/03/2009

Sonho que tive 070308

Eu estava indo para algum lugar com 3 pessoas, nós fomos. Depois, na volta para minha antiga casa (Que na realidade era ao lado de um morro mesmo, o da serrinha) na serra, um velho com uma faca acerta o meu ombro esquerdo, rasgando-o e fazendo jorrar sangue. Foi a cena mais real que me lembro do sonho. Logo após ele jogou a faca em minha direção, e eu a peguei com as minhas mãos sem me ferir. Lembro que isso me fez refletir sobre a vida estar sempre por um fio, mas não percebemos até acontecer uma coisa assim. Após isso, consegui fugir e enterrei a faca em um lugar. No outro dia, encontrei a faca boiando nas águas do que parecia ser uma nascente, então entrei na água e enterrei debaixo do solo da água a faca. Mas é como se o passado que tive estivesse me perseguindo. Lembro de estar em um santuário procurando por proteção, mas o tempo que gastei me perdendo ali, só fez o relógio de contagem regressiva descontar mais tempo da minha iminência mundana. Fiquei pensando no fato da vida ser tão frágil pelo resto do sonho, me lembro em um lugar civilizado, cheio de formas lisas e polidas, paralelepípedos verticais, brancos e cinzas. Tudo era cinza nesse lugar, mas parecia bem seguro.

05/03/2009

No carro, sim, no carro. Eu me lembro, eu gosto de me lembrar mais novo, e das coisas que eu lembrava de quando era mais novo, quando eu era mais novo. E aí chega um ponto onde tive os sentimentos originais, os primeiros sentimentos. Sei muito bem que o resto é derivado deles. Sou escravo da nostalgia que influencia diretamente meu futuro. É lindo. É ridículo Érico. Você é um ridículo sem iniciativa eu te odeio tanto que acho que suicídio não seria a solução para um verme demente como você. Sua penitência será ser humilhado diariamente pelos adventos do dia a dia. Você, lixo do mundo, cocô do verme parasita inútil que serve apenas para prejudicar o próximo para nutrir-se, você é lixo. E lixo não merece uma inexistência, isso seria bom demais, seu pedaço orgânico de merda que nem para adubo serve. VOCÊ, lixo humano, merece toda a humilhação alheia, toda própria humilhação e muito mais. Cave mais fundo, o fundo do poço não é o bastante (HAHAHA 007). Que legal me sinto o máximo parodiando lixo comercial que só serve para ganhar dinheiro dos bobos. Vou ganhar a atenção dos bobos. Quê bobos? O BOBO EU. Aiiii, como é lindo me humilhar, me reduzir à miniatura do lixo humano desnecessário podre mofado pútrido decrépito pederasta inconveniente e mais 100000 adjetivos de preferência piores que esses. Eu me sinto tão barato, tão miserável, é lindo! É como se sentir rico só que ao contrário =))))). Érico, você se submeteria a um nível de demência só para prejudicar a si mesmo e tornar menor o tempo de sua missão terrena de destruir sua própria vida? NUNCA. NUNCA, NUUUUNCA. Eu faço questão de prolongar aa ferida, me humilhar, me tornar um escravo do próprio boicote! Eu sou feíssimo, e isso é tão lindo quanto ser lindo, só que ao contrário! HHAHAAHAHAHA. Nossa Érico, procure ajuda psicológica! Eu irei, irei entrar em sessões de auto humilhação repetindo com todos os "ós" minhas repressões de condicionamento para a vida real! Eu preciso me adaptar ao lixo! Eu preciso fazer parte disso, para me sentir menos, menos, e menos ainda. Érico, você é tão ridículo, reage assim por rejeição! CALARO QUE SIM, aliais, poderia ter um jeito pior que se eu soubesse agora, citaria; é claro que sou podre, que só faço isso por ter sido rejeitado de alguma maneira, afinal, por que outro motivo eu faria isso? Chamar atenção? Chamar a atenção? Eu não estou demente, estou me sentindo ótimo, ÓTIMO. Bom saber de toda a falsidade, bom saber de que você é capaz de pensar tanta merda, tanto, é... LIXO. Como você é infantil! Como você é isso, como você é aquilo! Obrigado por me achar alguma coisa, melhor isso a nada! NOSSA ÉRICO, você vale tão pouco assim? Quem disse que eu tenho que ter um valor, e mesmo se eu tiver, quem é você para estipular um preço, uma measura? Você é minha consciência idiota que só me bota em apuros, aliais, eu te agradeço por isso, me sinto muito pior assim, apesar de me sentir muito bem, muito bem.

04/03/2009

Uma bela cena natural é o que vem primeiramente. Nostalgia da infância no campo, onde acreditávamos no mais simples, na possibilidade. Agora não sei mais o que é ou se é simples, mas sinto com a mesma intensidade que antes senti, quando acreditei. Não é uma questão do que acreditar, mas de acreditar. Um grande tanque de água, a visão vai se aproximando, as pessoas são simples. As coisas são simples, sei que depende do olhar. Eu consigo sorrir, sentir. A realidade sequer convém. O mais belo está tão à mostra que complicamos na hora de enxergar, é aí que vem o julgamento, presunção, conceito prévio. Conhecer algo a fundo pode até nos fazer querer guardar para si, mas alarde é um grande erro. Eu não acerto a maçã, não acerto o centro do alvo pois há uma infinidade de compleitudes pessoais, diferenças físicas e psicológicas, tudo para que o simples não pareça simples. Nós humanos somos uma só espécie e deveríamos ser parecidos. Talvez alguma divergência biológica que está por vir e mostra seus indícios. Eu nunca pensei porque enxergam o amor como problema. Às vezes, eu vejo que entendo muito bem, prefiro não acreditar. Sei que não há recompensa pelo meu ato e não minto que isso também me passa pela cabeça como preocupação. Não deveria. Não é, sei que não é, por mais que meu sentimento queira criar uma condição e minha garganta, agora, nesse exato momento, esteja a queimar; não deveria ser assim, digo em relação ao que no fundo quero. Mas não me entristeço sempre, pois o pranto é prova de vida também, assim como o sorriso, que em um instante desaparece da boca de um, mas em outra ele surge como que espontaneamente. A vida não é bela, nem triste. A vida é. Se sou, o que faço dela então? Um sorriso pode ser feio assim como uma tragédia, bela. Um amor pode ser correspondido ou não. Não é uma questão de sorte ou azar. É a condição. Mas para que eu continue a gostar, devo eliminá-la. Talvez seja tudo uma grande burrice, mas me sinto vivo como nunca com um sentimento que eu gostaria que fosse entendido, sentido. Flexione as nádegas, estufe o peito, sentido! Bem vindo ao mundo real, onde todas as suas mais belas fantasias são roubadas, bombardeadas, massacradas, assassinadas. O sepulcro ficará sem epitáfio, o esquecimento é necessário para que a lembrança tenha sentido. Vou canalizar isso em autorrepressão? Vou ficar triste toda vez que lembrar? Faço então o contrário? Me engano duas vezes, psicologia reversa em mim mesmo? Não é uma questão de escolher, a sensação é consequência. Se houvessem as palavras certas que convencessem de que poderia até que sim, valer a pena, eu gostaria de dizê-las. Se elas não existem, eu gostaria que existissem. Que ótimo, existe coisa mais comum do que a angústia de um apaixonado? Sim, escrevê-la.

12/02/2009

Ar ainda não lembrado.

Um lago grande, suas águas se movimentam pois venta. O sol se pondo. Imagino quando verei uma cena assim, mas na verdade já consigo vê-la. Imagino centenas de criaturas estranhas e tristes embaixo da água e é como se elas não afetassem o fluxo aquático causado pelo vento. Talvez estejam enfrentando uma depressão tão grande que não se sintam dignos de destruir tal beleza. Mas é como se estivessem mortos então. Ou talvez, estivessem apenas apreciando tudo aquilo e quem vê por fora pensa que eles por isso estão tristes, quando na verdade, estão sentindo a sensação de pureza que é inconfundível se não fosse pela água em movimento. Eles começam então a erguer suas cabeças hasteadas por seus enormes pescoços, como se fossem criaturas pré históricas. Começam a cantar uma ópera em direção ao sol se pondo em um timbre que nos faz voltar à infância que deveríamos ter aproveitado mais. Não é uma sensação de arrependimento, é uma simples nostalgia que aperta nossa garganta. Tudo que consigo imaginar, após ver tudo isso, é que essas criaturas não são uma divinidade, não são sequer reais, muito menos é o por do sol. Mas mesmo assim, por um propósito de isolamento para manter essa sensação única, me transporto para esse mundo. Os espelhos que se criam na água quando o vento azul passa a soprar, o sol fazendo sua última observação com ares tristes e alaranjados, eu sentado em uma pedra enorme e com idade suficiente para contar a história de todos os meus antepassados, um sentimento brando mas pequeno o suficiente para se guardar em um átrio ou um ventrículo. Não podia faltar o horizonte, claro e infinito como sempre e o sempre. Mas não por muito tempo, eis o que sonhei: um tigre aparece e não há como eu fugir. A última cena que me vem, sou eu pulando em uma espécie de pântano, prestes a ser capturado. Um senhor é mordido por uma cobra venenosa e sua vida depende de mim. Mas ninguém acredita que ele vai morrer por mais que eu insista por ajuda. No outro dia ele aparece vivo, mas eu não tive coragem de ir vê-lo por temer os seus últimos momentos. E bem aí que não se consegue ver quem é o mais covarde: quem nega ajuda ou quem teme ajudar.
A vida de um escritor se resume em se passar por Guilherme Tell e não acertar a maçã.

09/02/2009

Bola cor de rosa.

Cabeças corretas! Sexo indefinido e música prazerosa. Levado para outro mundo, de quem eu falo? É simples: explosões! Mas não, essa é a impressão que tenho, a lembrança que tenho. Mas mesmo sendo lembrança, não entendo porque continuo a me transportar para um mundo com ideais concisos e totalmente sem senso ou objetivo. Um pequeno jogo de expressões, cálculos, fórmulas, especulação de valores; o suficiente para prender atenção, requerir um nível de raciocínio, por mais bobo que seja. Mas o fato é a música, a música que me fez acreditar que tudo aquilo era bom o suficiente para eu me lembrar, sorrir e me transportar. Érico, onde você quer chegar? Eu continuo a dizer que o som sintético do teclado faz meu cérebro liberar a sensação nostálgica e prazerosa que me faz querer escrever de olhos fechados. Agora pare de impedir o fluxo e expresse seus desejos. Eu quero sexo oposto, eu quero querer sem me reprimir. Se eu estou me salvando de mim mesmo, como posso saber do que fui salvo se o "eu" está sendo impedido de penetrar nas teias de uma caverna escura onde uma aranha com o cérebro para fora grita de uma maneira assustadora? É, é, é e é. Sim, suspiro, tempo, e agora? Agora você vai dizer as mesmas baboseiras cansativas de sempre e blá blá blá blá, indignação com a autorrepressão, exprimir vontade de superação, e voltar a se reprimir porque querer superar tudo é coisa de enrustido, e que na verdade não é um fato de superar. Você é. Eu sou. E agora? E aí novamente caio num ponto sem sentido onde não haverá ponto pois não há sentido. Mas mesmo assim, a música... Música começa com "m". Hilário. Descreva agora o que vem, descrevo: Beat, algo por trás, lembra água. Velocidade com ritmo, lá vem. Isso, prazer. Coisas boas, menina que eu gosto. Ritmo, água, lugar plano. Menina que eu gosto, ela está sorrindo. Elá está lendo o que estou escrevendo, e de repente entende a descrição da música, sente o que estou sentindo, projeta a música na sua mente, sorri, fica reflexiva. Vale? Novamente. Mesmas batidas, mesma menina. Ela é tão linda que não quero ser vencido pela beleza. Quero esse momento em um lugar plano com água em canais onde a música é transportada pelo vento. Sem carícias, sem insinuações a não ser as de um sorriso. E lá vamos de novo. Caindo em uma especulação de um iludido. Escreva mais, escreva tudo que vem, a menina bonita, o personagem assexuado. Explosões de várias cores, sinestesia total. Quando uma coisa recebe "total" no final é muito homossexual, e quando rima, é pior. Mas eu não ligo pois tenho minha música e minha miragem ideal. Ó não, iludido! Eu quero ao menos um pedaço da realidade para sentir os pés no chão. Mas não, haverá trauma. SEXO SEXO SEXO SEXO SEXO SEXO SEXO SEXO, TRANSAR TRANSAR TRANSAR TRANSAR. É como se estragassem tudo mas não tem motivos para isso já que é uma coisa natural. Mas é como um trauma que não deveria ser, a conotação que a sociedade implica a algo tão natural; torna-se então em algo sujo, artificial e traumatizante. Não quero ser como as pessoas comuns, logo vou me negar a ser pessoa! Raciocínio mais burro que esse, só o de acreditar na possibilidade de um amor na vida real, um momento de águas em foz delta no infinito do branco. As cores psicodélicas vêm logo depois, em um formato de losango, que logo toma conta de tudo, indo e vindo, e então eu me pergunto: qual o motivo disso? É para não ter sentido? Quero chamar atenção? Quero o que eu não posso ter? É assim que vou morrer? Perguntinhas existenciais gays? Auto piedade? Não mesmo! SIM MESMO PERDEDOR. Repreensão, mas não ódio. Dúvida. Repreensão por dúvida, auto boicote! Extermínio das possibilidades de chance para que então não haja chances de ter chance! Logo vem o bom pensamento que se eu não fizesse isso eu poderia ter uma chance; trocar doce por açúcar. Negar a matemática do acaso. Como sou burro, como sou isso, como sou aquilo, como devo mostrar que entendo o meu erro para que eu mesmo acredite que entendo um erro que sequer sei se é erro. Érico, você não tem amigos de verdade porque o amigo de verdade para você jamais seria seu amigo. Mas você gosta de se imaginar com o melhor amigo, ou até sendo um melhor amigo. Você se imagina com o melhor amigo pois na imaginação tudo é possível. Érico, você tem um novo amigo. Seu amigo sou eu. Eu sou você. A reconciliação de uma briga congênita e química, feita por música de teclado sintético! Eu sei onde isso nos levará: você quer que seja no lixo tóxico auto destrutivo do seu pensamento negativo, mas o seu melhor amigo diz que o imparcial é pura obra do acaso! É trocar açúcar por doce, mas não deixa de ser uma troca. Érico, se eu te amar, você admite que ama também? Sem banalismo, sem condições, sem essa de "Ah Milla, se você soubesse como penso", porque terminar assim queima o filme e dá impressão de romântico ortodoxo. Ortodoxo que me lembra roxo, que me lembra uva, é a cor onírica, fruta do vinho, Baco e Dionísio. Ultrapassado. Sim, eu levo em conta que essas exaltações sejam um sentimento superior. A ansiedade e o artrópode dancante em minha traquéia, com seus pelos que penicam e fazem o seco da garganta parecer um deserto cheio de cactos. Érico, cactos conseguem armazenar muita água, logo você está sendo ambíguo. Érico, você ama a ama ou ama acreditar que você a ama? Você sabe que a realidade pode alterar essa condição, e só negando a realidade para não haver tal. O artrópode é fruto da sua decepção com a realidade, ânsia da sua idealização mental ou um mixo entre ambas situações. É claro que você sabe. Érico, o que te faz ser assim, acreditar que palavras próprias mudariam a postura das outras pessoas, não a sua? É disso que se faz um texto, um livro. Mas eu sou mera ferramenta que também pode ter o seu uso entre dois extremos. Eu posso acabar mudando também, assim como também não. Érico, o que você vai fazer? Eu continuo a não saber muito bem, só que agora além disso eu amo.