12/02/2009
Ar ainda não lembrado.
Um lago grande, suas águas se movimentam pois venta. O sol se pondo. Imagino quando verei uma cena assim, mas na verdade já consigo vê-la. Imagino centenas de criaturas estranhas e tristes embaixo da água e é como se elas não afetassem o fluxo aquático causado pelo vento. Talvez estejam enfrentando uma depressão tão grande que não se sintam dignos de destruir tal beleza. Mas é como se estivessem mortos então. Ou talvez, estivessem apenas apreciando tudo aquilo e quem vê por fora pensa que eles por isso estão tristes, quando na verdade, estão sentindo a sensação de pureza que é inconfundível se não fosse pela água em movimento. Eles começam então a erguer suas cabeças hasteadas por seus enormes pescoços, como se fossem criaturas pré históricas. Começam a cantar uma ópera em direção ao sol se pondo em um timbre que nos faz voltar à infância que deveríamos ter aproveitado mais. Não é uma sensação de arrependimento, é uma simples nostalgia que aperta nossa garganta. Tudo que consigo imaginar, após ver tudo isso, é que essas criaturas não são uma divinidade, não são sequer reais, muito menos é o por do sol. Mas mesmo assim, por um propósito de isolamento para manter essa sensação única, me transporto para esse mundo. Os espelhos que se criam na água quando o vento azul passa a soprar, o sol fazendo sua última observação com ares tristes e alaranjados, eu sentado em uma pedra enorme e com idade suficiente para contar a história de todos os meus antepassados, um sentimento brando mas pequeno o suficiente para se guardar em um átrio ou um ventrículo. Não podia faltar o horizonte, claro e infinito como sempre e o sempre. Mas não por muito tempo, eis o que sonhei: um tigre aparece e não há como eu fugir. A última cena que me vem, sou eu pulando em uma espécie de pântano, prestes a ser capturado. Um senhor é mordido por uma cobra venenosa e sua vida depende de mim. Mas ninguém acredita que ele vai morrer por mais que eu insista por ajuda. No outro dia ele aparece vivo, mas eu não tive coragem de ir vê-lo por temer os seus últimos momentos. E bem aí que não se consegue ver quem é o mais covarde: quem nega ajuda ou quem teme ajudar.
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