10/04/2010


Talvez se eu pudesse acordar. Talvez se eu pudesse mudar. Talvez se fizesse mais sentido tentar. Vendo tudo de fora parece que as coisas fazem mais sentido; vendo de longe, vendo permeado por uma tela, sempre se esbarra, é sempre talvez. Partindo por alguns detalhes que se entende a complexidade de um todo, e aprende-se que não se deve tomar o conteúdo pela forma, mas que a forma não deixa de ter importância. I'm a single player, I'll always be a single player. Não me contento com a visão ou com apenas o conhecimento, não me envergonho em dizer que sou infeliz mesmo possuindo motivos de sobra para o oposto. Mas me envergonho de minhas frivolidades emocionais, me envergonho por me deixar levar por impulsos completamente irracionais. Me envergonho de me aproximar por interesse ou de simplesmente não poder expressá-lo. Me envergonho e admito, sim, que seria muito mais fácil se pudesse eu deixar o coração trancado para sempre. A chave não são as decepções que tive ao passar de minha vida, isso seria olho por olho, mesmo eu não acreditando que pessoas eventualmente se interessam por mim. Eu sinto muito, e por muito sentir prefiro não sentir, para que eu possa ver os feixes entre o emanharado diáfano das folhas, para que a respiração aparente fluída, para que eu não ande mancando. Não sou vítima, mas isso não significa que eu tenha que me culpar.

06/04/2010

O personagem perfeito para a história perfeita em um contexto perfeito esperando por momentos perfeitos num dia perfeito com um por do sol perfeito. O perfeito pretexto para que nada possa ser perfeito é quando tudo pode ser, simplesmente, perfeito. Essa é a minha vida. Eu sou perfeito. Sou a pior pessoa do mundo, perfeita! Perfeita, pois, para os dias de hoje. Perfeito para não precisar de nenhum adorno adicional, nenhuma cunha. Perfeitamente impreciso, não preciso de ninguém. Quando escrevo, tudo se perde: trata-se apenas de uma impressão do perfeito, imperfeita.