28/12/2010
Por muito acredito que sinto pena de mim, que mereço algo de especial, mesmo que seja me tornar algo especial; também me considero a merda ambulante do mundo, um zero a ser somado à esquerda de outro, e que se é que sou alguma coisa, mereço sofrer até não mais querer ser. É preciso imaginar Sísifo feliz mesmo sem ter esperanças. O mistério me mantém vivo e me mata aos poucos. Se tenho motivo de vida, é saber que posso me matar a qualquer momento. Talvez é a minha maior motivação. Dos meus princípios, a incerteza. Vivo me repetindo, é mais ou menos assim. Não gosto do que escrevo, mas continuo. Continuo não gostando, mesmo assim. Contínuo. Alguém me ouve? Ou será que eu não ouço ninguém? Respiro fundo pra entrar mais ar porque quero acabar com isso de vez. Mas às vezes gosto de ficar guardando ar, nunca se sabe quando vai faltar. Minha razão é um grande não. Dos meus sentimentos, uma aceitação. Aceita logo mano, para de se regrar. Eu não. É mais ou menos assim. Tenho me boicotado a vida toda pra descobrir que se eu não o tivesse feito tudo teria acontecido mais rápido e eu teria descoberto que já estava fudido há muito tempo. Fiz só atrasar porque não gosto de dor. Essa dor sem nome, que não sai sangue mas é bem vermelha. Mas acho que entendi. A pedra é a dor. Devo me imaginar feliz toda vez que me encontrar com ela. E não adianta eu fugir de meu destino, que será sempre círculos cada vez mais perfeitos.
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