29/11/2010
28/11/2010
Vazio infinito
Cada palavra que li em vida é uma metáfora perfeita do infinito. Cada noite que passei sozinho é uma estrela em que sua distância de mim é a mesma entre o que sinto e o que revelo para o mundo. As vezes em que engoli seco no escuro não foram porque me senti sozinho, por estar sempre sozinho não me permitia parar de pensar em alguém. Sempre na linha da fronteira entre desejar e o irreparável, recebo a fantasia que me apatiza da realidade e cerco cada vez mais o possível com o desperdício. Mas não opto, deixo o futuro como um intransponível ponto de interrogação. Há o que me lembro desde o primeiro dia e há certas coisas que passam por minha cabeça, separadas do agora por apenas alguns minutos, que prefiro não me lembrar. Não me lembro de como acabei me tornando o ser que não se lembra de como acabou sendo. Por isso continuo sendo algo que só dá pra entender se for em terceira pessoa. Pode até ser, mas não sou eu. É mais ou menos assim: eu não sei quem sou, só sei o que quero. Feito bobo, me pego perguntando qual o sentido da vida. Coisas que não parecem terem sido terminadas se parecem com um trauma, exige medidas de desespero para aliviar o que foi deixado em aberto. Mas nem desespero, nem ansiedade, nem saudade aliviam o que quer que seja. A cicatriz fica. E qualquer que tente iluminar o que esteve por muito no escuro, cega. Como alguém que matou sua esperança na desilusão e o único motivo do coração pulsar é pela sobrevivência. Expurgo isso como se acreditasse que eu sou alguém melhor, ou que poderia ser melhor, requer todo meu ser e nada sobra. Na verdade fica em débito. Como retribuir por algo que nunca me aconteceu?
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