Existe romance sem gosto
lugar e personagem
Existem os bastidores
Da desilusão
Existe o fundo dos palcos
Em cada lágrima
Em cada riso
Que desatam nós
Na garganta.
Agora que talvez é uma certeza
Falar é um erro;
Aceitar, um risco;
Agir, um instinto.
Dentro de fora
Da parte de um todo
Passado, presente, futuro
Um só infinito
Muito pouco
Outros nós
Tudo e nada
Ao mesmo tempo
Nunca e sempre
Momento eterno
Expansão retrátil
Oposto similar
Complicação fácil
Plural singular
Paradoxo coerente
Entendimento confuso
Intocável acariciado
Valor nulo
Vazio cheio
Preenchido com espaços
Além e aquém
De um certo lugar
Sonho real
Através do opaco
Cego por ver
A surdez ouvir
O tato não sentir
O gosto de nenhum paladar
Essência sem cheiro
Sutil e insuportável
Ida sem movimento
Em reação estática
No escuro brilhante
Simplesmente
Exageradamente
Juntos sozinhos
Eu e você.
22/12/2013
11/12/2013
bolha em expansão
A pulsação cada vez mais lenta
Planetas cada vez mais raros
O tempo aos poucos dizendo
Palavras não inventadas
Cada mistério em sua caixa
Empilhadas num domingo
Na ponta dos dedos
Treme uma pergunta:
Quando fui feliz?
Sem criar sentido
Em movimento sem ação
Um velho dilema
Fica em mãos:
Evoluir ou sumir
Eis a questão
Eis a equação...
Os sonhos que ficam
A curiosidade de seguir
Talvez haja algo a ser dito
Ainda que aos poucos
Ainda que tarde
Ainda que eu seja
O último a saber.
O último a saber.
Eu não sei o que é tristeza.
Eu não sei o que é o amor.
Existem marcas mais vividas
Existem em outros ferida
Talvez uma lição,
Perspectiva:
Ser outro pra alguém
Alguém pra outro
Falta coração.
05/12/2013
Uma história pequena
Um dia achou que não valia mais achar
Pensou que não valia mais pensar
Sentiu que não valia mais sentir
Agiu pra não mais agir
Chegou num ponto final
E terminou em reticências...
Uma história grande
Um dia achou que achar é pequeno
Pensou que pensar é um começo
Sentiu que sentir é um meio
Agiu pra que então o fim
Seja mais que uma desinência.
Uma história real seria
O meio termo de um dia
Que se sonha acontecer.
Um dia achou que não valia mais achar
Pensou que não valia mais pensar
Sentiu que não valia mais sentir
Agiu pra não mais agir
Chegou num ponto final
E terminou em reticências...
Uma história grande
Um dia achou que achar é pequeno
Pensou que pensar é um começo
Sentiu que sentir é um meio
Agiu pra que então o fim
Seja mais que uma desinência.
Uma história real seria
O meio termo de um dia
Que se sonha acontecer.
27/11/2013
Sem título
O passado tem um gosto
Sentem o corpo, o rosto
Uma ideia não muda
Mas esquecida
Desaparece
Pensar em sentir
É crer no intocável
Sentir o pensar
É tocar no incrível
O simples difícil
Assim como amar...
Sentem o corpo, o rosto
Uma ideia não muda
Mas esquecida
Desaparece
Pensar em sentir
É crer no intocável
Sentir o pensar
É tocar no incrível
O simples difícil
Assim como amar...
setting bright, adjust for all
and in time those cold
letting light in
letting light in
letting light in
letting light in here
cold lamping
bright words sting, like I know
bright words sting, like I know
bright words sting, like I know
bright words sting, like I know
bright words sting, like I (still like I know)
like I know
still light I know
light I know
light I know
26/11/2013
Lupa
O tempo é um só
Futuro e passado são gêmeos
E também meu maior presente
Eterna companhia
Enquanto durar.
A minha memória imperfeita
Guardando imagens e sons ao seu modo
Pessoas, olhares
É como outra pessoa escolhendo por mim.
Os meus sonhos mal lembrados
Criam novos gostos
Novos lugares
É como outro mundo vivido por mim.
A estranha realidade me cercando
Estrangeiro de nascença
Da terra natal
Onde aço, pedra e vidro
Também são um só.
22/11/2013
11/11/2013
Observida
Ainda se pode dizer algo
Por isso, repete...
Palavras que valem a pena lembrar;
Dentro da pior pessoa existe latente
Uma lição.
Por isso, repete...
No dualismo das escolhas
Se dividem ao meio
Quando inteiros
Falta decisão.
Quando não decidem
Em que saber.
Ecos cada vez mais rasos
Do que um dia pensou lembrar.
Falta decisão.
Quando não decidem
Em que saber.
Ecos cada vez mais rasos
Do que um dia pensou lembrar.
Amando o que a mente cria
Vestindo mentiras
Que se sonhou acontecer.
Que se sonhou acontecer.
A vida é assim:
Guarda as ironias
Pra quem fica sem querer.
Pra quem fica sem querer.
I know I don't know you
I know that we don't think along the same lines
But what do I do when I can't reach out
Through this iron built bubble of pain?
Your house settled in deep country
With acres and a farm and a spring to cleanse me
Your house with a view of purity
Overlooks a hillside of green
Green as your eyes...
I embrace a moment
I'm in love with a dream
And toy with ideas
That burn deep inside me.
Because a picture is all you are to me
A picture is all you'll ever be.
I know you don't know me
A nervous, wordless face brings shade to your light
But I want so bad to walk beside you
But fall back into a world where I believe.
I embrace a moment
I'm in love with a dream
And toy with ideas
That burn deep inside me.
Because a picture is all you are to me
A picture is all you'll ever be.
A noite acompanhou
Enquanto pensava em coisas
Que não devia lembrar
Não há sonhos
E o sorriso
Se é sincero?
Não se sabe...
Não é tristeza
Nem tédio;
Um vazio de quem
Não ama
Não cria
E não sabe ser
Querendo apenas o que não se pode ter
Nem tocar
Buscando alívio em mentiras que sequer ousamos
Contar.
Enquanto pensava em coisas
Que não devia lembrar
Não há sonhos
E o sorriso
Se é sincero?
Não se sabe...
Não é tristeza
Nem tédio;
Um vazio de quem
Não ama
Não cria
E não sabe ser
Querendo apenas o que não se pode ter
Nem tocar
Buscando alívio em mentiras que sequer ousamos
Contar.
09/11/2013
Agora que o meu tempo é outro
Guardo um erro de ouro
Nos silêncios dos dias
Que me são os mesmos.
Evitando o mistério
Me repito em coincidências
Tentando sair do tédio
Com muitos outros inventados.
Contínuos indefinidos
Amando uma derrota
Do que nunca pude controlar
O meu peito pesa menos.
Sobrou a nostalgia do que morreu
Um pouco que me é tudo
E adiar o inevitável é nada mais
Que continuar vivo...
Minha segurança é uma saída fácil
Uma desculpa pronta
Pra qualquer situação.
Sem rastro ou caminho
Equilibrando em cima do muro
Sem expectativa ou decepção
Risco ou perdas
Posso apenas ganhar
Sabe se lá o quê
E não importa mais.
Guardo um erro de ouro
Nos silêncios dos dias
Que me são os mesmos.
Evitando o mistério
Me repito em coincidências
Tentando sair do tédio
Com muitos outros inventados.
Contínuos indefinidos
Amando uma derrota
Do que nunca pude controlar
O meu peito pesa menos.
Sobrou a nostalgia do que morreu
Um pouco que me é tudo
E adiar o inevitável é nada mais
Que continuar vivo...
Minha segurança é uma saída fácil
Uma desculpa pronta
Pra qualquer situação.
Sem rastro ou caminho
Equilibrando em cima do muro
Sem expectativa ou decepção
Risco ou perdas
Posso apenas ganhar
Sabe se lá o quê
E não importa mais.
08/11/2013
Início acabado
Exausto
Sou uma máquina de repetir
As coincidências
São olhares de relance.
Eu invento
A mesma história
De outros modos.
Âmbar de nostalgia
Das vidas que pude ter
Enquanto outras me fugiam
É um aperto na garganta.
Um erro que virou cicatriz
Que só eu vejo
Impossível não notar
Inevitável não lembrar.
Agora que sou a figura em frente à porta
Terno e gravata
Valise na mão
Flores amassadas na outra
O sonho começa pelo fim
Terminando pelas metades.
Eu escrevo a mesma história
Com outras palavras.
A pergunta que vale ouro
O silêncio que vale erro
Lados de uma moeda...
Eu repito as mesmas palavras
Em outra ordem.
Brinco com sentidos que dormem em mim
Estou amando uma ideia
E faço tudo pra me parecer nova
Todos os dias
Que agora são iguais...
Sou uma máquina de repetir
As coincidências
São olhares de relance.
Eu invento
A mesma história
De outros modos.
Âmbar de nostalgia
Das vidas que pude ter
Enquanto outras me fugiam
É um aperto na garganta.
Um erro que virou cicatriz
Que só eu vejo
Impossível não notar
Inevitável não lembrar.
Agora que sou a figura em frente à porta
Terno e gravata
Valise na mão
Flores amassadas na outra
O sonho começa pelo fim
Terminando pelas metades.
Eu escrevo a mesma história
Com outras palavras.
A pergunta que vale ouro
O silêncio que vale erro
Lados de uma moeda...
Eu repito as mesmas palavras
Em outra ordem.
Brinco com sentidos que dormem em mim
Estou amando uma ideia
E faço tudo pra me parecer nova
Todos os dias
Que agora são iguais...
29/10/2013
Oposto encaminhado
Eternos mortais
Mera conclusão
Incompleta expressão
De ritos finais.
Agora o amanhã passou
Afogo em sono apagado
Busco em sonho o sentido
Por trás do que sobrou.
Qual é a chance
Das palavras certas saírem
Repetirem e insistirem
Olhares de relance?
Nenhum mistério
Do óbvio iminente
Do sério reminiscente.
Alguns meios sem fim
De uma parte pensada
Assim começa a dúvida.
Um exercício relapso
Interpreto por erros.
Muitos outros acertos
Formam um embaraço.
Do que me foge.
Do que não sou.
Floco de neve reduzido
Grão de areia partido.
Precisar de motivo
Pra seguir vivo.
É um luxo que exijo
E que não se dispõe
Feridas que não doem...
Mas fica cicatriz
De dias inacabados
Amores mal terminados.
Quem sabe um novo começo
Agora que o tempo é ouro
E o silêncio um retrocesso.
Floco de neve reduzido
Grão de areia partido.
Precisar de motivo
Pra seguir vivo.
É um luxo que exijo
E que não se dispõe
Feridas que não doem...
Mas fica cicatriz
De dias inacabados
Amores mal terminados.
Quem sabe um novo começo
Agora que o tempo é ouro
E o silêncio um retrocesso.
02/10/2013
Reciclagens
"Nessa corda
Longe de ser bamba
Indo pela penumbra
Sem subir pra não cair
Sem ir pra não voltar
Até quando me enganar?
Não sou pedra
Não sou ilha
Ocupo espaço
Preciso de ar
Um detalhe
Que ninguém nota
É moeda jogada
Na fonte do azar."
"Por horas, dias, meses, anos
Repetiu na cabeça
Um trecho de som
Num pedaço de cena
O resumo da vida
Tem sido a menina
Deitada, olhando pro nada
Acendendo e apagando a luz
Procurando nostalgia antiga
De céus azuis
Das poucas coisas que sobram
E do mistério que não se vê mais..."
"Preso em âmbar de incerteza
Vendo um mundo girar sem mim
Reveza em pensar e esquecer
O que me tornou assim
Por amar sonhos
Vivendo apenas de coisas
Que posso tocar
Uma ideia
Não me sai
Até quando levar
A vida em standby?"
"Sinto falta do silêncio
De boca calando-se em outra
Da troca de olhares
Durando mais que o riso deixa
As pequenas coisas e prazeres
Que se guardavam em mãos dadas.
Agora que os dias são os mesmos
Entendo que mudamos
Você é um fantasma dos meus erros."
Longe de ser bamba
Indo pela penumbra
Sem subir pra não cair
Sem ir pra não voltar
Até quando me enganar?
Não sou pedra
Não sou ilha
Ocupo espaço
Preciso de ar
Um detalhe
Que ninguém nota
É moeda jogada
Na fonte do azar."
"Por horas, dias, meses, anos
Repetiu na cabeça
Um trecho de som
Num pedaço de cena
O resumo da vida
Tem sido a menina
Deitada, olhando pro nada
Acendendo e apagando a luz
Procurando nostalgia antiga
De céus azuis
Das poucas coisas que sobram
E do mistério que não se vê mais..."
"Preso em âmbar de incerteza
Vendo um mundo girar sem mim
Reveza em pensar e esquecer
O que me tornou assim
Por amar sonhos
Vivendo apenas de coisas
Que posso tocar
Uma ideia
Não me sai
Até quando levar
A vida em standby?"
"Sinto falta do silêncio
De boca calando-se em outra
Da troca de olhares
Durando mais que o riso deixa
As pequenas coisas e prazeres
Que se guardavam em mãos dadas.
Agora que os dias são os mesmos
Entendo que mudamos
Você é um fantasma dos meus erros."
22/09/2013
Eu tento
Conseguir ou não
Não importa mais.
Eu consigo
Com ou sem satisfação
Já é alguma coisa.
Eu não consigo
E frustrado ou não
E frustrado ou não
Volto a tentar.
Às vezes mudo o rumo.
Se sou feliz assim
Se sou triste
Se acho justo
Ou injusto
Se sou bom
Ou ruim
Isso aquilo
Lá ou aqui
É só mais um detalhe
De um quadro
Que preciso entender.
20/09/2013
17/09/2013
Sem graça
Em meus rodeios parodiados
Plagiando-me em pleonasmos
Contradizendo-me dizendo
Que não há nada a ser dito
Repito, repito.
Vou me esgotando em escrito
Até realmente não haver mais nada
De meu tempo...
Finito.
Sem mais amores impossíveis
Mistério ou decepção
Sem mais supor muito
De minha imaginação.
Agora que acredito
Tenho menos a perder
O aperto na garganta
Demorei pra perceber
É minha negação.
Plagiando-me em pleonasmos
Contradizendo-me dizendo
Que não há nada a ser dito
Repito, repito.
Vou me esgotando em escrito
Até realmente não haver mais nada
De meu tempo...
Finito.
Sem mais amores impossíveis
Mistério ou decepção
Sem mais supor muito
De minha imaginação.
Agora que acredito
Tenho menos a perder
O aperto na garganta
Demorei pra perceber
É minha negação.
12/08/2013
Palíndromo espelhado
Neste fim
Se deixam meios
Sem nem começar.
Dormindo apenas
Quando convém
Esquece-se do sonho
Ao acordar.
As palavras traindo a si mesmas
Quem diz e quem ouve
É um só.
Não entendendo a vida
E recusando a errar
Faço círculos na areia
Com a mesma ideia.
Os paradoxos
Numa frase
Dando voltas.
Agrupando grandes vazios
Em curtas linhas.
Ou amar uma ideia
Ou pensar no amor...
A quem se escreve
Este sendo o único leitor
Em contínuo continuum
Movimento sem ação.
Agrupando repetições
Em palavras
Acaba sendo
A única expressão.
Em mesmices
De outros modos
Não se chega
À conclusão.
Pelas falhas
Se cria
Memória
Pelo tempo
Se transforma
Matéria.
Um fim não se justifica
Por meios que esqueceram
Do mistério
Em começar.
O mesmo sempre de tudo.
O diferente nunca de nada.
Não há mistério
A quem recusa-se
Mudar.
Se deixam meios
Sem nem começar.
Dormindo apenas
Quando convém
Esquece-se do sonho
Ao acordar.
As palavras traindo a si mesmas
Quem diz e quem ouve
É um só.
Não entendendo a vida
E recusando a errar
Faço círculos na areia
Com a mesma ideia.
Os paradoxos
Numa frase
Dando voltas.
Agrupando grandes vazios
Em curtas linhas.
Ou amar uma ideia
Ou pensar no amor...
A quem se escreve
Este sendo o único leitor
Em contínuo continuum
Movimento sem ação.
Agrupando repetições
Em palavras
Acaba sendo
A única expressão.
Em mesmices
De outros modos
Não se chega
À conclusão.
Pelas falhas
Se cria
Memória
Pelo tempo
Se transforma
Matéria.
Um fim não se justifica
Por meios que esqueceram
Do mistério
Em começar.
O mesmo sempre de tudo.
O diferente nunca de nada.
Não há mistério
A quem recusa-se
Mudar.
29/07/2013
Autoanálise
Por anos tenho tentado
Associar-me livremente em palavras
Por anos que me passam a fio
Me passam também as polidas sucatas
De um sentido desconstruído.
O que é subjetivo
Apenas uma desculpa
De minha limitação.
Me evitei por um bom tempo...
Orbitando meu egoísmo
Pairando entre minhas dúvidas
Observando-me negar o inevitável
Estão meus desejos.
Minha ambição é apenas girar
Em círculos
Para não me perguntar
Onde fui parar.
E agora que os dias me são os mesmos
E junto a eles tudo que sou e escrevo
Percebo que tenho medo
Das coisas que fogem a mim.
Associar-me livremente em palavras
Por anos que me passam a fio
Me passam também as polidas sucatas
De um sentido desconstruído.
O que é subjetivo
Apenas uma desculpa
De minha limitação.
Me evitei por um bom tempo...
Orbitando meu egoísmo
Pairando entre minhas dúvidas
Observando-me negar o inevitável
Estão meus desejos.
Minha ambição é apenas girar
Em círculos
Para não me perguntar
Onde fui parar.
E agora que os dias me são os mesmos
E junto a eles tudo que sou e escrevo
Percebo que tenho medo
Das coisas que fogem a mim.
15/07/2013
Autorrepeticrítica
Na redundância de minha ausência
Há um túnel escuro
Não vejo fim
Não vejo luz.
Na luz de todos o dias
Que agora me são os mesmos
Vou pela penumbra
Tentando me equilibrar
Nessa corda longe de ser bamba.
Me arrastando de volta para a cama
Com uma doença inventada
Ou um modo diferente
De se dizer o que não quero ouvir.
Escrever pra mim mesmo
É minha única expressão
Mas como julgar alguém
Que sequer conheço?
Me impressionando com pequenos malabarismos
De palavras repetidas
Tentando forçar aquele aperto na garganta
Com o quê?
A tristeza que me dá por ler
Sucatas polidas do que me restou?
E o que foi que me restou?
Não sou nenhum coitado.
Nem me sinto culpado.
O barato acabou.
Esse falso Orfeu
Em abstinência do vício que não teve
Cansado do esforço que não fez
Vai se cegando
Pra depois se calar
E não reclamar nunca
De que não há luz.
Cinismo, burrice ou orgulho
Se arrependerá
Quando for tarde demais.
A quem tento enganar?
E o mais importante, por quê?
O que quero provar?
Não sou invisível
Ocupo espaço
Preciso de ar.
Há um túnel escuro
Não vejo fim
Não vejo luz.
Na luz de todos o dias
Que agora me são os mesmos
Vou pela penumbra
Tentando me equilibrar
Nessa corda longe de ser bamba.
Me arrastando de volta para a cama
Com uma doença inventada
Ou um modo diferente
De se dizer o que não quero ouvir.
Escrever pra mim mesmo
É minha única expressão
Mas como julgar alguém
Que sequer conheço?
Me impressionando com pequenos malabarismos
De palavras repetidas
Tentando forçar aquele aperto na garganta
Com o quê?
A tristeza que me dá por ler
Sucatas polidas do que me restou?
E o que foi que me restou?
Não sou nenhum coitado.
Nem me sinto culpado.
O barato acabou.
Esse falso Orfeu
Em abstinência do vício que não teve
Cansado do esforço que não fez
Vai se cegando
Pra depois se calar
E não reclamar nunca
De que não há luz.
Cinismo, burrice ou orgulho
Se arrependerá
Quando for tarde demais.
A quem tento enganar?
E o mais importante, por quê?
O que quero provar?
Não sou invisível
Ocupo espaço
Preciso de ar.
06/03/2013
Oposicionado
Eu vou dar um tempo de dar tempo
Se volto é porque estou vivo
Quem sabe ao fim do ano
Se não
Começo outra vez.
Se para mudar eu precise
Abandonar o abandono
Desistir da desistência
Vou me trair
Não mais escrevendo.
Parece até mentira
E se for
Que eu me prepare
Pra outras mil.
Preciso me repetir em tudo.
Já não há como me odiar
E muito a ser dito
Mas não aqui...
(Aponta para o coração)
Isso é assunto a ser resolvido.
Espero que a falta
Seja uma boa lembrança
Talvez eu me convença
Com a falsa distância.
Talvez haja algo a ser dito
Só não tenho as palavras
Nem o falso otimismo
Ou desilusão:
Outras mil vezes
Apenas.
Me aguardo.
Se volto é porque estou vivo
Quem sabe ao fim do ano
Se não
Começo outra vez.
Se para mudar eu precise
Abandonar o abandono
Desistir da desistência
Vou me trair
Não mais escrevendo.
Parece até mentira
E se for
Que eu me prepare
Pra outras mil.
Preciso me repetir em tudo.
Já não há como me odiar
E muito a ser dito
Mas não aqui...
(Aponta para o coração)
Isso é assunto a ser resolvido.
Espero que a falta
Seja uma boa lembrança
Talvez eu me convença
Com a falsa distância.
Talvez haja algo a ser dito
Só não tenho as palavras
Nem o falso otimismo
Ou desilusão:
Outras mil vezes
Apenas.
Me aguardo.
04/03/2013
Reflexo
Eu passo horas pensando
Se haveria qualquer coisa
Que valesse a pena dizer...
Acabo repetindo as
Cartas marcadas
Cartas marcadas
Da ausência
De tema
Ou de sentido.
Percebo que insisto nisso
Porque se eu inventasse
Qualquer história
Seria mentir.
Prefiro continuar
Apenas
Não aceitando a verdade.
Apenas
Não aceitando a verdade.
Minha vida tem sido uma omissão.
Nomes
Pessoas
Lugares
Pessoas
Lugares
Condensam-se no tempo
Que me passa retilíneo e uniforme.
Uma cor a mais ou a menos ali
Um sorriso quebrado
Que poderia ser de qualquer um.
Espectador de minha própria história
Que interrompi para tentar vê-la
Por fora.
Acreditei que então aí
Acreditei que então aí
Eu poderia entender,
Tirar uma conclusão...
Só que
Só
Não se cria nada.
Só que
Só
Não se cria nada.
26/02/2013
O último refúgio
De um ciclo
Em repetições
É o vazio.
Eu me cansei do vazio.
As chances que tenho
Encero-as no chão.
Um tipo de brilho
Opaco
Que fui deixando...
Agora que já não há tempo
Meu futuro e passado
São gêmeos.
Cada vez mais
Encerro-me ao meio
Do que imaginei começar.
Quando pequeno, entendi
A ideia me bastou
E nada é mais livre
Que o esquecimento.
Pois agora dizem que adoeci
O meu drama escrito;
Uma página em branco.
A nota de um suicida remissivo
Em branco...
Uma falsa dor.
Não se cria algo do nada.
E ainda que eu realmente a tivesse
O que faria?
De um ciclo
Em repetições
É o vazio.
Eu me cansei do vazio.
As chances que tenho
Encero-as no chão.
Um tipo de brilho
Opaco
Que fui deixando...
Agora que já não há tempo
Meu futuro e passado
São gêmeos.
Cada vez mais
Encerro-me ao meio
Do que imaginei começar.
Quando pequeno, entendi
A ideia me bastou
E nada é mais livre
Que o esquecimento.
Pois agora dizem que adoeci
O meu drama escrito;
Uma página em branco.
A nota de um suicida remissivo
Em branco...
Uma falsa dor.
Não se cria algo do nada.
E ainda que eu realmente a tivesse
O que faria?
16/02/2013
14/02/2013
Continuo a me repetir
Contínuo ao me repetir
Sem início ou meio
E adiando enquanto posso
O inevitável.
Coadjuvante em remissão
Reciclo as palavras
Até não encontrar modo
De me esquivar de mim.
Se conseguirei...
Não cabe aqui projetar.
Tornei-me imutável
Apareço por estar vivo
E pretendo tolerar
Uma apatia que aperta
Em minha garganta...
A palavra não me sai.
Apenas repito
O que tento me lembrar
Um gosto que não me vem
Uma mentira que inventei
Mil vezes.
Não há nada a dizer
Mas volto com o mesmo
De outra maneira
Remoendo o corroído
Extirpando os restos
De qualquer sentido
Que me fez
Um dia.
Trata-se de minha vida.
E não se esconde
O que não se pode ver...
São as palavras que escrevo
Preenchem um vazio
Com outros vazios
A velha soma
Com o mesmo resultado.
Parece-se agora
Com breves lamentos
Por nada ter acontecido.
E no fundo é isso
Só que
Interrompido.
Uma equação tautológica.
Não me sinto culpado.
Posso continuar indefinidamente
Com novos modos de me imitar
Uma soma que dará
O mesmo resultado...
A patinação na lama
Em citações recauchutadas
De mim
Para mim
Sem fim.
É o preço do vazio
E o tempo apaga...
Afinal não enxergo um palmo
Além do que não sou.
Cego porque não aceito
Ser visto.
Até quando
As mesmas desculpas
Vão se sustentar...
E o dano
Que tudo isso causa?
O que há para dizer?
Pergunto pelo avesso
O que disse sem saber.
Queria ver tirar algo bom
Disso.
Se eu fosse um pouco homem
Tomava as rédeas
Quero dizer,
Uma decisão.
Qualquer uma.
Contínuo ao me repetir
Sem início ou meio
E adiando enquanto posso
O inevitável.
Coadjuvante em remissão
Reciclo as palavras
Até não encontrar modo
De me esquivar de mim.
Se conseguirei...
Não cabe aqui projetar.
Tornei-me imutável
Apareço por estar vivo
E pretendo tolerar
Uma apatia que aperta
Em minha garganta...
A palavra não me sai.
Apenas repito
O que tento me lembrar
Um gosto que não me vem
Uma mentira que inventei
Mil vezes.
Não há nada a dizer
Mas volto com o mesmo
De outra maneira
Remoendo o corroído
Extirpando os restos
De qualquer sentido
Que me fez
Um dia.
Trata-se de minha vida.
E não se esconde
O que não se pode ver...
São as palavras que escrevo
Preenchem um vazio
Com outros vazios
A velha soma
Com o mesmo resultado.
Parece-se agora
Com breves lamentos
Por nada ter acontecido.
E no fundo é isso
Só que
Interrompido.
Uma equação tautológica.
Não me sinto culpado.
Posso continuar indefinidamente
Com novos modos de me imitar
Uma soma que dará
O mesmo resultado...
A patinação na lama
Em citações recauchutadas
De mim
Para mim
Sem fim.
É o preço do vazio
E o tempo apaga...
Afinal não enxergo um palmo
Além do que não sou.
Cego porque não aceito
Ser visto.
Até quando
As mesmas desculpas
Vão se sustentar...
E o dano
Que tudo isso causa?
O que há para dizer?
Pergunto pelo avesso
O que disse sem saber.
Queria ver tirar algo bom
Disso.
Se eu fosse um pouco homem
Tomava as rédeas
Quero dizer,
Uma decisão.
Qualquer uma.
03/02/2013
Montanha Trágica
Este livro
À mesa
Me aguarda.
Não me resta muito
E cada vez mais
Tenho menos a perder.
As chances que tenho
Cuspo-as no chão.
Um tipo de cinismo
Ou orgulho
Que nunca entendi.
Me pergunto se é
Uma forma de punição
Por meu modo de pensar.
Por que é que tento me obrigar
A entender
O que realmente significa
Solidão?
E como saberei se, no final,
Eu me restar somente a mim?
À mesa
Me aguarda.
Não me resta muito
E cada vez mais
Tenho menos a perder.
As chances que tenho
Cuspo-as no chão.
Um tipo de cinismo
Ou orgulho
Que nunca entendi.
Me pergunto se é
Uma forma de punição
Por meu modo de pensar.
Por que é que tento me obrigar
A entender
O que realmente significa
Solidão?
E como saberei se, no final,
Eu me restar somente a mim?
20/01/2013
Pesar
"Socialmente inepto"
Concluo ao pisar fora de casa.
Eu devia tentar não me esconder no meu quarto.
Consegui um emprego para me distrair.
Sim, os peixinhos dourados...
Conheci pessoas quais eu não me importo
E não me importarei.
A culpa é minha,
Mas não me sinto culpado.
(Nada é pior que este nada, nada...)
Me disseram que é o caminho mais simples
Aceitar que não há aceitação
E de que tudo é um absurdo...
Para mim, não.
Me fecha a garganta.
Nada mais o faz, nada...
A bomba relógio de minha vida insignificante
De todos os versos vazios que criei
Não me significa
Além de ecos etéreos de uma vida mal interpretada...
Sonhos e sentidos que inventei.
Uma poeira estelar
De sucata polida
Em palavras repetidas
Por uma projeção não realizada...
Não consigo aceitar
Que no fundo...
Nunca passei de um suicida em remissão.
O tempo é o martelo
Pregando-me a certeza
De que não há como escapar
Do que vem
Dizendo-me ao ouvido
"Vim para lhe pesar"
À ignorância que me circunda
Deixo bem claro...
Conheço-a.
Concluo ao pisar fora de casa.
Eu devia tentar não me esconder no meu quarto.
Consegui um emprego para me distrair.
Sim, os peixinhos dourados...
Conheci pessoas quais eu não me importo
E não me importarei.
A culpa é minha,
Mas não me sinto culpado.
(Nada é pior que este nada, nada...)
Me disseram que é o caminho mais simples
Aceitar que não há aceitação
E de que tudo é um absurdo...
Para mim, não.
Me fecha a garganta.
Nada mais o faz, nada...
A bomba relógio de minha vida insignificante
De todos os versos vazios que criei
Não me significa
Além de ecos etéreos de uma vida mal interpretada...
Sonhos e sentidos que inventei.
Uma poeira estelar
De sucata polida
Em palavras repetidas
Por uma projeção não realizada...
Não consigo aceitar
Que no fundo...
Nunca passei de um suicida em remissão.
O tempo é o martelo
Pregando-me a certeza
De que não há como escapar
Do que vem
Dizendo-me ao ouvido
"Vim para lhe pesar"
À ignorância que me circunda
Deixo bem claro...
Conheço-a.
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