14/02/2013

Continuo a me repetir
Contínuo ao me repetir
Sem início ou meio
E adiando enquanto posso
O inevitável.

Coadjuvante em remissão
Reciclo as palavras
Até não encontrar modo
De me esquivar de mim.

Se conseguirei...
Não cabe aqui projetar.

Tornei-me imutável
Apareço por estar vivo
E pretendo tolerar
Uma apatia que aperta
Em minha garganta...

A palavra não me sai.

Apenas repito
O que tento me lembrar
Um gosto que não me vem
Uma mentira que inventei
Mil vezes.

Não há nada a dizer
Mas volto com o mesmo
De outra maneira
Remoendo o corroído
Extirpando os restos
De qualquer sentido
Que me fez
Um dia.

Trata-se de minha vida.

E não se esconde
O que não se pode ver...

São as palavras que escrevo
Preenchem um vazio
Com outros vazios
A velha soma
Com o mesmo resultado.

Parece-se agora
Com breves lamentos
Por nada ter acontecido.
E no fundo é isso
Só que
Interrompido.

Uma equação tautológica.

Não me sinto culpado.

Posso continuar indefinidamente
Com novos modos de me imitar
Uma soma que dará
O mesmo resultado...
A patinação na lama
Em citações recauchutadas
De mim
Para mim
Sem fim.

É o preço do vazio
E o tempo apaga...
Afinal não enxergo um palmo
Além do que não sou.

Cego porque não aceito
Ser visto.

Até quando
As mesmas desculpas
Vão se sustentar...

E o dano
Que tudo isso causa?

O que há para dizer?

Pergunto pelo avesso
O que disse sem saber.

Queria ver tirar algo bom
Disso.

Se eu fosse um pouco homem
Tomava as rédeas
Quero dizer,
Uma decisão.
Qualquer uma.

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