Continuo a me repetir
Contínuo ao me repetir
Sem início ou meio
E adiando enquanto posso
O inevitável.
Coadjuvante em remissão
Reciclo as palavras
Até não encontrar modo
De me esquivar de mim.
Se conseguirei...
Não cabe aqui projetar.
Tornei-me imutável
Apareço por estar vivo
E pretendo tolerar
Uma apatia que aperta
Em minha garganta...
A palavra não me sai.
Apenas repito
O que tento me lembrar
Um gosto que não me vem
Uma mentira que inventei
Mil vezes.
Não há nada a dizer
Mas volto com o mesmo
De outra maneira
Remoendo o corroído
Extirpando os restos
De qualquer sentido
Que me fez
Um dia.
Trata-se de minha vida.
E não se esconde
O que não se pode ver...
São as palavras que escrevo
Preenchem um vazio
Com outros vazios
A velha soma
Com o mesmo resultado.
Parece-se agora
Com breves lamentos
Por nada ter acontecido.
E no fundo é isso
Só que
Interrompido.
Uma equação tautológica.
Não me sinto culpado.
Posso continuar indefinidamente
Com novos modos de me imitar
Uma soma que dará
O mesmo resultado...
A patinação na lama
Em citações recauchutadas
De mim
Para mim
Sem fim.
É o preço do vazio
E o tempo apaga...
Afinal não enxergo um palmo
Além do que não sou.
Cego porque não aceito
Ser visto.
Até quando
As mesmas desculpas
Vão se sustentar...
E o dano
Que tudo isso causa?
O que há para dizer?
Pergunto pelo avesso
O que disse sem saber.
Queria ver tirar algo bom
Disso.
Se eu fosse um pouco homem
Tomava as rédeas
Quero dizer,
Uma decisão.
Qualquer uma.
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