25/03/2011

Coração batela de pequenos mares de aquário
Dos signos, refratário, que abaixo d'água desconheceu
Tudo que é água e depende dela por ter sido cego fariseu

Vê que tudo que foi
Foi transparente e molhado, mas se secou.

Fui acordado em praia abandonada com os trajares em andrajos
Minha barba em tamanho dos sonhos que deixei além-mar...

E se as aves soubessem falar...
Meu pensamento-cidade de todos os becos abandonados
Por onde passou uma sombra a desavisar
Corvos brancos de esperança que não sabiam voar
Em passos de criança nos seus tropeços desfalcados

Fui algum lugar, não sendo, qualquer prédio abandonado
De todas as rachaduras e exíguos quartos vazios em branco
Como que memória abandonada de um antigo amor perdido
Não se sustenta e é destruído pelo tempo, amor parco...

E agora um fluxo de carros-madrugada perpassa noites de todo dia
Dia em que renasci da vida em morte, fiz do acaso qualquer coisa
E qualquer coisa que me fosse noite, corvo branco de meus olhos vaza

Todos os prédios abandonados de toda a a madrugada em suas mudezas
Com os raros carros em buzina abafada, um grito distante, vidro a quebrar
Partes de um calmo silêncio que faz barulho, rijo em se contrariar

20/03/2011

Pessoando

Daí que uma pessoa não precisa ser uma pessoa.

Isso que faz da pessoa, Pessoa.