Meu pensamento-cidade de todos os becos abandonados
Por onde passou uma sombra a desavisar
Corvos brancos de esperança que não sabiam voar
Em passos de criança nos seus tropeços desfalcados
Fui algum lugar, não sendo, qualquer prédio abandonado
De todas as rachaduras e exíguos quartos vazios em branco
Como que memória abandonada de um antigo amor perdido
Não se sustenta e é destruído pelo tempo, amor parco...
E agora um fluxo de carros-madrugada perpassa noites de todo dia
Dia em que renasci da vida em morte, fiz do acaso qualquer coisa
E qualquer coisa que me fosse noite, corvo branco de meus olhos vaza
Todos os prédios abandonados de toda a a madrugada em suas mudezas
Com os raros carros em buzina abafada, um grito distante, vidro a quebrar
Partes de um calmo silêncio que faz barulho, rijo em se contrariar
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