12/08/2013

Palíndromo espelhado

Neste fim
Se deixam meios
Sem nem começar.

Dormindo apenas
Quando convém
Esquece-se do sonho
Ao acordar.

As palavras traindo a si mesmas
Quem diz e quem ouve
É um só.

Não entendendo a vida
E recusando a errar
Faço círculos na areia
Com a mesma ideia.

Os paradoxos
Numa frase
Dando voltas.

Agrupando grandes vazios
Em curtas linhas.

Ou amar uma ideia
Ou pensar no amor...

A quem se escreve
Este sendo o único leitor
Em contínuo continuum
Movimento sem ação.

Agrupando repetições
Em palavras
Acaba sendo
A única expressão.

Em mesmices
De outros modos
Não se chega
À conclusão.

Pelas falhas
Se cria
Memória
Pelo tempo
Se transforma
Matéria.

Um fim não se justifica
Por meios que esqueceram
Do mistério
Em começar.

O mesmo sempre de tudo.
O diferente nunca de nada.

Não há mistério
A quem recusa-se

Mudar.