Neste fim
Se deixam meios
Sem nem começar.
Dormindo apenas
Quando convém
Esquece-se do sonho
Ao acordar.
As palavras traindo a si mesmas
Quem diz e quem ouve
É um só.
Não entendendo a vida
E recusando a errar
Faço círculos na areia
Com a mesma ideia.
Os paradoxos
Numa frase
Dando voltas.
Agrupando grandes vazios
Em curtas linhas.
Ou amar uma ideia
Ou pensar no amor...
A quem se escreve
Este sendo o único leitor
Em contínuo continuum
Movimento sem ação.
Agrupando repetições
Em palavras
Acaba sendo
A única expressão.
Em mesmices
De outros modos
Não se chega
À conclusão.
Pelas falhas
Se cria
Memória
Pelo tempo
Se transforma
Matéria.
Um fim não se justifica
Por meios que esqueceram
Do mistério
Em começar.
O mesmo sempre de tudo.
O diferente nunca de nada.
Não há mistério
A quem recusa-se
Mudar.