A dor é a unidade de medida universal
Se há o que não a sente
O mesmo, irremediavelmente, a causa
Uma onda mecânica
Que nos traz ao ouvido
¨À sua amada poderás somente ferir¨
A dor é a palavra que escrevo
Em meio a todo torpor
De sequer ter sido algo em vão
De ser esquecido
E dela ter perdido
O sentido.
(Pois o que dói mais
Que um vazio ausente?)
A dor é o sono perdido
Em meio a uma madrugada
Um vapor em forma de coração
As narinas o exalaram em um vidro
Que separava presença da lua
Duraram poucos segundos
Aquela visão.
Bem, a dor é uma escassez
E, por isso, uma exceção
De tudo que nao alcancei
Uma memória que não consigo apagar
Um tempo que insiste em passar
E cria chagas sobrepostas
Polidas em sucata
Das coisas que mal interpretei.
A dor se repete
De maneiras diferentes.
A dor é um toldo que nos protege
Da inevitável
Realidade
De não sentir
Absolutamente
Nada.
É, além de tudo
Uma desculpa esfarrapada.