14/02/2012

Essa estrada sem começo nem fim
Me irrita.

Os sonhos que me esqueço
Me deixam saudades.

O que poderia ter sido
É uma sucata de tudo que não fui.

Cada dia é um golpe
E fico cada vez mais frio
Até o inevitável ponto
Em que não sentirei mais nada.

(Se seria a morte?)

Um grande vazio de dor
Ecos cada vez mais fracos
De um sentido.

Me irrito novamente, já não suporto versos. Mas não há muito a ser escrito, uma história que valha ou um argumento que já não tenha sido feito. Ainda que houvesse não os saberia escrever. Para onde vou levar minha falta de levada?
Qualquer ação ou movimento valeria mais que tudo que escrevi. Qualquer soco no estômago ou dente se quebrando na boca de algum imbecil que provocou uma briga. Lâmpada se partindo e escurecendo um quarto mal arrumado. Eu não saio do lugar.

E por isso retorno
Ao mesmo ponto em que desisto
Pelas metades que me são fim.

Não sei falar
Nem ouvir
Nem compreender.

Mal entendidos sobrepostos
Em domingos de infância
Que me voltam com outro gosto.

Vai ver já estou morto
Ou me desperdiço sem resultar
Em nada além do vazio
Que me é uma só
Iminência da ausência.