Até o que tem me causado escuridão
Estará guardado em alguma parte dispersa
Não completará nem faltará com a perfeição
Que, como um sábado de verão, de meu vazio cessa.
Penso em você nos ecos dos dias que não vivi...
De dias com uma luz que sempre retorna
Vi seu contorno dançando no clarão, me comovi...
Em alguma ilha isolada, com uma pequena cabana
Os pássaros não cantam
O mar não sussurra
E mesmo assim não há silêncio.
Como um náufrago que perdeu a voz por gritar socorro
Não consigo me pronunciar por você ser
A única expressão.
II
A mão invísivel que me sufoca...
A estranha chuva que não cai do céu...
É uma passagem que pelo gosto do sal evoca
Que agora entre nós e um azul existe um véu
Que pelo corpo irá terminar essa viagem mal sucedida
Por ser de cetim como o que salga as águas, vejo um fim...
Uma pífia declaração de amor mal fantasiada
Não queria que as coisas terminassem assim...
Isolado, é o máximo que posso fazer
Pensar muito pra sentir menos
Mas pensando nisso, faz-me senti-la...
Do meu reflexo dividido em pequenas ondas
O que sinto parece ter vida própria
e o que vive não pode ser águas passadas...
III
Por espontaneidade encontrei-me nesta ilha
e pela mesma talvez algum dia eu possa sair...
Sei que esse horizonte azul não passa de armadilha
Como o dia que me passa a se esvair...
Tropeço em meus próprios passos nesta areia
Tropeçam-me as palavras antes mesmo de me sairem
Embaralha-se o pouco que tenho, uma mente alheia...
Marujo, pirata e cruzeiro que por alguma ocasião me vissem
Teriam certeza de minha dúvida
Embaralhariam-se com minha certeza
De que tudo é incerto.
Me valer a pena até estar aqui
É muito peso para minhas pernas
Afinal, essa ilha pode ser como existir...
08/01/2011
Excertos de um esquecimento
Que desde pequeno me enchi de amores impossíveis
Mesmo ante uma vida prática a me alertar
De que se tratam de erros irreparáveis
Nunca me foi como um problema: não vieram a me faltar.
Que talvez por não me expressar bem ou não fazê-lo
Por vezes vieram a me interpretar mal
Conto chances a fio que me foram pelo ralo
De possível alteração do que poderia se tornar real.
Mas gosto de um mundo que se separa por lapsos
De um passado que deixei de viver
E de um futuro que permito se fazer.
Que entre ambos encontro uma fábula do impossível
Do que, pela imaginação, do real dissipo
E que sequer pertenço ao meu próprio corpo.
Mesmo ante uma vida prática a me alertar
De que se tratam de erros irreparáveis
Nunca me foi como um problema: não vieram a me faltar.
Que talvez por não me expressar bem ou não fazê-lo
Por vezes vieram a me interpretar mal
Conto chances a fio que me foram pelo ralo
De possível alteração do que poderia se tornar real.
Mas gosto de um mundo que se separa por lapsos
De um passado que deixei de viver
E de um futuro que permito se fazer.
Que entre ambos encontro uma fábula do impossível
Do que, pela imaginação, do real dissipo
E que sequer pertenço ao meu próprio corpo.
Primeiramente, o amor é o desespero dos solitários; não aceitar a solidão mesmo sozinho; contentar-se com uma eternidade que não existe.
Talvez seja essa a visão lógica.
Segundamente, o amor é a paciência dos que se acompanham; aceitar companhia não por solidão; não se contentar com a finitude da realidade.
Talvez seja essa a visão romântica.
Terceiramente, o amor é a paciência de um solitário; se sentir sozinho mesmo acompanhado; contentar-se com a finitude da realidade.
Talvez seja essa a visão absurda.
Quartamente, o amor é um desespero paciente de um acompanhante solitário; uma aceitação inaceitável de ser companhia, mesmo sozinho; contentar-se descontente de que da finitude da realidade imagina-se o eterno.
Talvez seja essa a visão poética.
Quanto a mim, eu não sei o que é o amor.
Talvez seja essa a visão lógica.
Segundamente, o amor é a paciência dos que se acompanham; aceitar companhia não por solidão; não se contentar com a finitude da realidade.
Talvez seja essa a visão romântica.
Terceiramente, o amor é a paciência de um solitário; se sentir sozinho mesmo acompanhado; contentar-se com a finitude da realidade.
Talvez seja essa a visão absurda.
Quartamente, o amor é um desespero paciente de um acompanhante solitário; uma aceitação inaceitável de ser companhia, mesmo sozinho; contentar-se descontente de que da finitude da realidade imagina-se o eterno.
Talvez seja essa a visão poética.
Quanto a mim, eu não sei o que é o amor.
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