08/01/2011

Mar dos olhos

Até o que tem me causado escuridão
Estará guardado em alguma parte dispersa
Não completará nem faltará com a perfeição
Que, como um sábado de verão, de meu vazio cessa.

Penso em você nos ecos dos dias que não vivi...
De dias com uma luz que sempre retorna
Vi seu contorno dançando no clarão, me comovi...
Em alguma ilha isolada, com uma pequena cabana

Os pássaros não cantam
O mar não sussurra
E mesmo assim não há silêncio.

Como um náufrago que perdeu a voz por gritar socorro
Não consigo me pronunciar por você ser
A única expressão.

II

A mão invísivel que me sufoca...
A estranha chuva que não cai do céu...
É uma passagem que pelo gosto do sal evoca
Que agora entre nós e um azul existe um véu

Que pelo corpo irá terminar essa viagem mal sucedida
Por ser de cetim como o que salga as águas, vejo um fim...
Uma pífia declaração de amor mal fantasiada
Não queria que as coisas terminassem assim...

Isolado, é o máximo que posso fazer
Pensar muito pra sentir menos
Mas pensando nisso, faz-me senti-la...

Do meu reflexo dividido em pequenas ondas
O que sinto parece ter vida própria
e o que vive não pode ser águas passadas...

III

Por espontaneidade encontrei-me nesta ilha
e pela mesma talvez algum dia eu possa sair...
Sei que esse horizonte azul não passa de armadilha
Como o dia que me passa a se esvair...

Tropeço em meus próprios passos nesta areia
Tropeçam-me as palavras antes mesmo de me sairem
Embaralha-se o pouco que tenho, uma mente alheia...
Marujo, pirata e cruzeiro que por alguma ocasião me vissem

Teriam certeza de minha dúvida
Embaralhariam-se com minha certeza
De que tudo é incerto.

Me valer a pena até estar aqui
É muito peso para minhas pernas
Afinal, essa ilha pode ser como existir...

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