Me parece que não há mais nada a se escrever
Outros nadas adentro de meu grande nada...
Não sei dos problemas de altos e baixos
Meu impulso não é uma linha reta
É apenas um ponto.
Não tomo partido, não revido a ofensa
Que me impingi por nenhum motivo
Mas imagino-me a socar uma parede branca.
Detesto com a réstia de vontade esses olhos por olhos
De todos os dias de meu mundo mal interpretado
Sou tão vil quanto qualquer verdugo mascarado
Em século passado que ainda vive.
Ansioso por um sonho diferente e leve
Além dos tédios de meus dias intransponíveis
Ligados em dúvida por passado, relegados ao futuro.
Um furo da vida que não me passou
Sangrei por acaso...
Sabe, de todas as vidas que não tive
A que tenho é a que mais me falta...
E não soube dos amores que pude ter
Me interessam os impossíveis
E deixo me excomungarem:
Sem querer sou histrião.
Mas quem faz piada é essa vida...
A única certeza que levo
É minha maior dúvida...
A mesma pergunta desde o primórdio
Dia que passei até dela duvidar...
Mas guardo aqui, pra mim
Se contei foi acidente sem vítima
Numa rua de infância mal ladrilhada
Era proibido passar.
09/04/2011
08/04/2011
Podem rir,
Achar engraçado
é fácil quando se tem alguém ao lado.
As janelas que são moldura de outras vidas
Em quadro a óleo que se borra ao simples toque
Faço arte abstrata, sem querer...
Mas é difícil eu me sentir tocado.
Rumina em minha cabeça uma ideia antiga
Antes fosse obsessão, perseverança, eu insisto
Em dar parte ao pensamento abstrato.
Vou jogando experiências, sons, imagens,
Uns aos outros se tornando vida que não se vive
Apenas sonho.
(Será que me falta Deus, amor, ou será que crio?)
Do resultado, sobram minhas pretensões interpretando
O agora que se foi antes e será, depois, ontem...
Projetando vidas pois me falta uma
Crio o que não posso ter
Me destruo.
Parece que meu pensamento está sempre em reforma
Mas de material tenho apenas uma tábua
De palavras ininteligíveis cravadas sobre outras
Não sei se devia continuar, descansar do descanso
Mas estou dando dois passos para trás para avançar um...
Atrasando o próprio atraso...
Podem rir, me fiz de palhaço sem sequer me vestir
Estou mendigando amor com palavras mal postas
Batendo às portas de estranhos milionários
Que me recusam até um não.
Um guarda veio fustigando qualquer ofensa
Todo à francesa, mas falando em alemão
Não posso conceber o dono da mansão.
Outras vidas...
E o dinheiro que me falta ao ônibus
É o mesmo que me faz passar
Nas ruas de minha infância em chão de terra...
Achar engraçado
é fácil quando se tem alguém ao lado.
As janelas que são moldura de outras vidas
Em quadro a óleo que se borra ao simples toque
Faço arte abstrata, sem querer...
Mas é difícil eu me sentir tocado.
Rumina em minha cabeça uma ideia antiga
Antes fosse obsessão, perseverança, eu insisto
Em dar parte ao pensamento abstrato.
Vou jogando experiências, sons, imagens,
Uns aos outros se tornando vida que não se vive
Apenas sonho.
(Será que me falta Deus, amor, ou será que crio?)
Do resultado, sobram minhas pretensões interpretando
O agora que se foi antes e será, depois, ontem...
Projetando vidas pois me falta uma
Crio o que não posso ter
Me destruo.
Parece que meu pensamento está sempre em reforma
Mas de material tenho apenas uma tábua
De palavras ininteligíveis cravadas sobre outras
Não sei se devia continuar, descansar do descanso
Mas estou dando dois passos para trás para avançar um...
Atrasando o próprio atraso...
Podem rir, me fiz de palhaço sem sequer me vestir
Estou mendigando amor com palavras mal postas
Batendo às portas de estranhos milionários
Que me recusam até um não.
Um guarda veio fustigando qualquer ofensa
Todo à francesa, mas falando em alemão
Não posso conceber o dono da mansão.
Outras vidas...
E o dinheiro que me falta ao ônibus
É o mesmo que me faz passar
Nas ruas de minha infância em chão de terra...
04/04/2011
Você, que sem lembrar me passou
Meus dias descontados de outros que não vivi direito
Minha insistente tautologia acerca do nada que vejo em tudo
Todas as cores possíveis no preto e no branco
E um conselho que não me lembrei e agora vejo anotado
Em um bilhete pregado no espelho.
Sequer o meu reflexo aparece,
Não me desmereci para poder ser negativo
Fui desde que me lembro, nulo, antigo...
Por isso nem precisava me lembrar; esquecia...
Recordação que me era algo novo, lembrava
De que eu mesmo havia escrito o bilhete
Que agora em minhas mãos, em branco...
Deixei no espelho para me esquecer.
Meu reflexo que está em qualquer lugar
Pode estar até em todos ao mesmo tempo
Mas como achar que estaria através de um espelho
Que sequer é lugar.
Nos sonhos em que amei, não me foram verdade
Pois amei em realidade os sonhos
Que agora já não me lembro.
Sequer são lugares.
E eu repouso minha cabeça no chão frio
Tão gelado quanto o que me sobrou,
Que, não sabendo se foi nada, mesmo que fosse
Insisto em tomar como dor.
Talvez por não ser nada.
E eis que você, na calçada, se vira com estranha impressão
Seu rosto bate no meu rosto, sou um estranho.
Curioso, talvez, por não ser nada.
E olho para cima com o barulho do avião
Já estou velho pra essas coisas, mas tento achar
Lamento não ter achado, não cresço...
E todas as ruas que me passam, ou quando passo
São as mesmas ruas do meu passado
A mesma infância cheia de vazios
Ladrilhada por sentidos de cidade pequena...
E ao meu redor, o que ainda enxergo
Forço outra paisagem sobreposta, não cresço...
Qualquer coisa colorida além desse branco e preto
De todos os dias de meu passado.
Tanto sorrindo quando chorando, nem um nem outro
Pois me são o mesmo, ainda que em sua presença e dúvida
Insisto em dizer que não é nada...
Garganta fechando, vista turvando, não é nada
Foi qualquer coisa, você que não conheço e que passa
Nas ruas de minha infância mal ladrilhada...
O que havia de bonito pra te contar, que guardei
Não passa, ficou cicatriz inerte sobreposta a outra
Barulhos de aviões me interrompendo o sono...
Sequer são lugares, não sei onde guardo
Não sei se me importo, dou de ombros para o passado
Que me foi e agora é uma garganta fechando...
O túmulo me aguarda
Com uma orquestra em preto e branco...
Adianta pedir perdão?
Adianta eu me perdoar?
Perdoar a ti?
Nunca culpei por mais que me sinta...
Esse nunca que podia ser um sempre.
Eu preciso terminar aqui, aponta para o peito
Eu preciso terminar o que não comecei.
Minha insistente tautologia acerca do nada que vejo em tudo
Todas as cores possíveis no preto e no branco
E um conselho que não me lembrei e agora vejo anotado
Em um bilhete pregado no espelho.
Sequer o meu reflexo aparece,
Não me desmereci para poder ser negativo
Fui desde que me lembro, nulo, antigo...
Por isso nem precisava me lembrar; esquecia...
Recordação que me era algo novo, lembrava
De que eu mesmo havia escrito o bilhete
Que agora em minhas mãos, em branco...
Deixei no espelho para me esquecer.
Meu reflexo que está em qualquer lugar
Pode estar até em todos ao mesmo tempo
Mas como achar que estaria através de um espelho
Que sequer é lugar.
Nos sonhos em que amei, não me foram verdade
Pois amei em realidade os sonhos
Que agora já não me lembro.
Sequer são lugares.
E eu repouso minha cabeça no chão frio
Tão gelado quanto o que me sobrou,
Que, não sabendo se foi nada, mesmo que fosse
Insisto em tomar como dor.
Talvez por não ser nada.
E eis que você, na calçada, se vira com estranha impressão
Seu rosto bate no meu rosto, sou um estranho.
Curioso, talvez, por não ser nada.
E olho para cima com o barulho do avião
Já estou velho pra essas coisas, mas tento achar
Lamento não ter achado, não cresço...
E todas as ruas que me passam, ou quando passo
São as mesmas ruas do meu passado
A mesma infância cheia de vazios
Ladrilhada por sentidos de cidade pequena...
E ao meu redor, o que ainda enxergo
Forço outra paisagem sobreposta, não cresço...
Qualquer coisa colorida além desse branco e preto
De todos os dias de meu passado.
Tanto sorrindo quando chorando, nem um nem outro
Pois me são o mesmo, ainda que em sua presença e dúvida
Insisto em dizer que não é nada...
Garganta fechando, vista turvando, não é nada
Foi qualquer coisa, você que não conheço e que passa
Nas ruas de minha infância mal ladrilhada...
O que havia de bonito pra te contar, que guardei
Não passa, ficou cicatriz inerte sobreposta a outra
Barulhos de aviões me interrompendo o sono...
Sequer são lugares, não sei onde guardo
Não sei se me importo, dou de ombros para o passado
Que me foi e agora é uma garganta fechando...
O túmulo me aguarda
Com uma orquestra em preto e branco...
Adianta pedir perdão?
Adianta eu me perdoar?
Perdoar a ti?
Nunca culpei por mais que me sinta...
Esse nunca que podia ser um sempre.
Eu preciso terminar aqui, aponta para o peito
Eu preciso terminar o que não comecei.
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