Achar engraçado
é fácil quando se tem alguém ao lado.
As janelas que são moldura de outras vidas
Em quadro a óleo que se borra ao simples toque
Faço arte abstrata, sem querer...
Mas é difícil eu me sentir tocado.
Rumina em minha cabeça uma ideia antiga
Antes fosse obsessão, perseverança, eu insisto
Em dar parte ao pensamento abstrato.
Vou jogando experiências, sons, imagens,
Uns aos outros se tornando vida que não se vive
Apenas sonho.
(Será que me falta Deus, amor, ou será que crio?)
Do resultado, sobram minhas pretensões interpretando
O agora que se foi antes e será, depois, ontem...
Projetando vidas pois me falta uma
Crio o que não posso ter
Me destruo.
Parece que meu pensamento está sempre em reforma
Mas de material tenho apenas uma tábua
De palavras ininteligíveis cravadas sobre outras
Não sei se devia continuar, descansar do descanso
Mas estou dando dois passos para trás para avançar um...
Atrasando o próprio atraso...
Podem rir, me fiz de palhaço sem sequer me vestir
Estou mendigando amor com palavras mal postas
Batendo às portas de estranhos milionários
Que me recusam até um não.
Um guarda veio fustigando qualquer ofensa
Todo à francesa, mas falando em alemão
Não posso conceber o dono da mansão.
Outras vidas...
E o dinheiro que me falta ao ônibus
É o mesmo que me faz passar
Nas ruas de minha infância em chão de terra...
Nenhum comentário:
Postar um comentário