24/12/2012

Há este meio de se repetir o mesmo
Incontáveis vezes da mesma maneira
Com as mesmas palavras contadas...

Mas de um modo diferente.

Como polir sucata;
Transformar em velharia
O que ainda não foi inventado.

Eu me repito, inacabado.
Preencho uma página em branco
De vazios...

E o único sentimento
(Que preciso me livrar)
É a garganta se fechando.

Presumo então que estarei livre.

Me assombro com a dimensão do meu desconhecimento
As portas me fecham mesmo quando não abro.
E escolher não parece me bastar.

O mundo é imenso,
Grandioso, de um modo
Que apenas vou triscar
Com algumas experiências
Sons, modos
Procedidos por meu pensar

Uma leve superfície do que imagino conceber
Um ínfimo grão de poeira estelar perdido no ar...

Presumo então que não sou completamente vazio.

Traços de buracos que não consigo medir
Se são profundos, não mudará em nada.

Do que preciso, não compreendo
Ando em círculos
Com subidas e declives
E uma pedra nas costas
Ao passo em que construo
Peixinhos dourados para depois desfazê-los...

O suicídio não é de se cogitar
Me traz uma leveza apenas:
Mais um modo de me safar...

Aonde irei parar?

19/12/2012

Ecoando ecos mal interpretados
De registros feitos por vidas passadas
Em uma manhã que preferiria
Nem ter acordado.

Como um avião que está para pousar
Mas não chega o tempo
De sentir o chão.

É tudo infindável em horizontes e mares
De sonhos solitários
Que não mais me recordo.

Chego constantemente à conclusão...
Me afasto de uma costa
Que nunca vi.

Algo que não me permite aceitar
Uma vida vazia e de submissão
Coça em minha garganta...

Meus fins interrompidos
Em desconstrução.

Permeio em mínimas considerações
Por falsos sentidos
Inventados
Que ouvi falar
Ou li em algum lugar...

Uma realidade intocável e invisível.

26/11/2012

Vi um cão procurando comida no lixo
Um inseto sendo levado pela água até o esgoto
Um pássaro estraçalhado no meio da rua
Um mendigo dormindo na calçada
Uma mulher chorando no ônibus

Ouvi uma batida de carro
O vizinho escutando música que não gosto
Pessoas falando mal de outras
Pessoas falando bem de si mesmas
Pessoas falando de pessoas
Um gato miando no meio da noite.

Nada disso me significou algo mais que
Uma memória rasa;
Eventos que não compreendo
Parcialmente permeados
Por alguns de meus sentidos.

Não me fazem sentido.

Me considero um insensível
Porque nada mais me é profundo.

E por isso, agora,
Minha garganta se fecha
Apenas
Quando me dou conta disso.

22/11/2012

Letra Vaga

As letras que formam o que escrevo não me dizem nada
As formas que digo como as letras são
Não me dizem nada.

O que escrevo é uma repetição
Desordenada.

Até onde irei para me convencer dos sentidos que existem
Em cada coisa além de minha compreensão
São ciclos que se repetem.

Minha vida estagnada
Baseia-se puramente
Na ilusão.

Não consigo mais medir os estragos
De que será capaz
A minha ignorância.

Sinto um aperto na garganta.

São apenas mentiras.

10/10/2012

Sem mais papo furado ou delongas, eu realmente previ.

Encolhi,

Deitei,

Regressei.

Tudo que lembro é vago, acabou, secou, se perdeu ou nunca teve graça.
Pra bem dizer mesmo não me vem mais as lembranças como antes. Faz sentido?
Não durmo direito, não me concentro, me ocupo com qualquer coisa que distraia...
Pro tempo passar.
Não é mais uma espera, nem expectativa.

Não conto comigo.
Desconheço do que sou capaz e do que não sou me decepciona.

Minha insistência na falha e incompreensão, naturalmente, só me levou mais e mais a isso.

Sempre escrevendo as mesmas coisas, do mesmo modo, com uma ou outra palavra a mais ou a menos.

Um ato de patinar sem movimento.

Eu sei que não é uma crise. Mas me parece mesmo que perdi a identidade.
Se é que eu a tive em algum momento.

Retorno e leio e não consigo imaginar em que estado de consciência eu devia estar pra ter embaralhado tanta abobrinha num fraseado assim.

Estou oco de mim.

Nada entra, nada sai.

Não queria que continuasse e nem que acabasse assim.

31/08/2012



One more reason to forget

08/08/2012

Talvez a última

Polindo a sucata de minhas repetições
Já escrevi tudo que pude
Totalizaram-se em nenhum significado
Nenhum tema
Nenhum sentido.

Eu já sabia.

Agora já não há mais espera.
Não há mais desculpas.

Minha vida não vale nada para mim.
Não quero piedade.

Nem viver
Nem morrer.

Pois o mundo conspira contra
Os que não sabem escolher.

E mereço cada vazio de meu ser incompleto
Me protegeu de vitórias e derrotas.

Estraguei meus sonhos
Com o impossível.

Se de propósito ou não
Sim, fiz por merecer.

Me resta agora apenas
Algo que já devia ter feito
Há muito:

Calar-me de vez
E esquecer.

03/08/2012

impressão

Eu queria escrever qualquer coisa que fosse um pouco de verdade.
Queria lembrar quando foi a última vez que não me enganei,

Posso querer o quanto quiser...
E querer me foi poder, algumas vezes.

Meu erro foi evitar erros
Vejo que não aprendi,
Não criei, apenas imaginei criar...

Isso me bastou, doeu
E não me significa mais absolutamente nada.

Um fim inacabado.

Minha verdade foi escrita em areia.

20/07/2012

Meu silêncio teria dito mais
Que toda essa lama de autopiedade
Que inventei pra explicar o ridículo
De cada segundo em que sou obrigado
A me tolerar.

Pensando bem não chega a ser isso,
É muito menos,
Quase nada.

Escrevi de muitos modos os meus quases nadas...

À luz do fim do tunel
Ao fundo do poço
Ou à beira do abismo
Por um triz.

Fui inventando desculpas
De um iminente desconhecimento
Que previ.

Me ofendo gratuitamente e sem prazer algum.

Quase feliz
Quase triste
Quase realizado
Quase vazio
Quase começando
Quase terminando
Quase recomeçando.

Repito a mesma piada de mau gosto
Insisto.
Desisto.

Me lembro dela qualquer dia
E me consumo de nostalgia
Por algo que nunca achei graça.

25/06/2012

Retrorregresso

Repito
Que não há mais nada a ser dito.

Meus sonhos parecem-se os mesmos
Estagnados.

Já não sou suspeito pra falar de mim.

Minhas palavras conectam-se em repetições
Mas estou me cansando.

Já que agora levo muito tempo pra pensar
Em usar novamente o que digo.

Em fluxos imterrompidos
Reprocessando o antigo
De uma nostalgia cada vez mais rasa.

Tentando recuperar
O que já não me lembro ao certo.

Repito, repito, repito...

O que em mim me fez desaprender tudo que precisei?

21/06/2012

Reteste

Não há mais nada a ser dito
Uma negação mil vezes se torna um nada.

Eu não saio, mal converso
Meus problemas de dicção voltaram.

Banhos intermináveis, escovando os dentes depois de tomar água
A maior tragédia do meu dia agora é não encontrar meus chinelos.
E não que eu me importe, não.

Quem está perdido sou eu
Ironicamente eu sempre soube que chegaria aqui, neste ponto final.

02/05/2012

Despessoa

Aqui o resumo de tudo até agora:
Não há história.

O resumo aqui e agora de tudo
É que pra ser inteligente
Precisa-se medir a ignorância.

Tenho persistido no erro
E na mentira.

O meu drama não existiu
E nem teria me comovido.

Não sei fingir
Nem ser verdadeiro.

Equilibrando nessa corda longe de ser bamba
Cada dia que passa
Acaba passando menos.

Tristeza
Motivos
Piedade
Merecimento
É pra quem precisa.

Vou seguindo
E me evitando
Até porque
Não converso com estranhos.

23/04/2012



Looked at the stars,
Looked at my hands
And my fingertips
Trembled at the thought of touching you.


Flirting with this disaster became me
It named me as the fool who only aimed to be
Almost blue.

05/04/2012

Me recuso a escrever palavras não faladas
Quando imagino o que não existe
É por um eu que também não existe falando por mim.

Quando escrevo
Sou eu falando para mim mesmo.

Mas como se ouve alguém
Não existindo?

Cabresto de mim mesmo
Em todas as direções opostas
Que dão no mesmo caminho
Entre becos sem saída
De tudo que não fui.

Escrevo mal, escrevo pessimamente
Sem a licença dos poetas
E toda sua merda metrificada
Desregrados sistemáticos.

E o que eu penso não interessa
Retiraria tudo o que disse
Por algo que fosse ainda mais retirável
Aposento minha palavra
Em reticências...

O que escrevo é um vazio
Patinando na lama
De todos os meus arrependimentos
Que já não me fazem sentir nada.

Sequer um exemplo a não ser seguido.
Um burburinho pedindo
Silêncio.

30/03/2012

Tentar tentar

Daqui por diante
Mais nenhum trocadilho
Nenhuma rima forçada
Nem opostos manjados.

Nada de me reciclar
Me desculpar
Nem agradecer.

Daqui por diante
Que se tente ao menos
Algo que compense
O tempo perdido
Porque o eterno
Se estrepou
E disse que
Só vai voltar
Quando todos
Partirem.

É por isso que
Simpatizam-se com ele
Os solitários.

Nossa partida
É eterna
Tocamo-nos
Em desencontros.

Se forcei?

O filho da mãe tenta
Mas ninguém garante
Tudo bem.

E o tempo
Se não vale para mim
Isso é problema meu
Ele se despede
Em ausências
E também isso
É um problema.

Não estou forçando.

Só não quero precisar
Da mentira.

Mas por desconhecer
A verdade
Me anulo.

E toda invenção
Que não se pode tocar
Só valerá a pena
Quando for tocada.

É difícil aceitar
E por isso que
Ao ler
Tudo que escrevo
Penso comigo
Me calar é o mesmo
Que dizer
que não há
O que dizer.

Mas entre atos
O silêncio
Pode dizer muito.

26/03/2012

Não é difícil

Não é difícil acreditar
Que algumas pessoas vivam sozinhas
Não é difícil acreditar
Que delas, umas morram sozinhas

Não é difícil acreditar
Que se passe na vida
Sem um significado para existir

Não é difícil acreditar
Que ser odiado já não seja uma opção
Não é difícil acreditar
Que mentiras sejam solução

Não é difícil acreditar
E isso já não dói mais.

23/03/2012

Despeje em meus ouvidos
O aviso

¨O que não sente dor
Causa.¨

Inevitável como a morte
O sorriso amarelo
O minimalismo da perfeição
E a imprecisão
Da palavra
Traindo a si.

São como as pessoas.

Só que ficam.

É inevitável não pensar
Em dedos que não se tocam
Feitos de passado e futuro
Com mãos dadas
Entrelaçando-se
Em possibilidades
Ainda não traçadas

O meu maior presente.
Silêncio canta em meus ouvidos
As mesmas frases em que sonhei ouvir
Quando a vida me passava de outra maneira
Em um tempo que ainda
Não era desfeito em mim.

Agora o que passou é também
Um fantasma querendo existir
Sussurra silêncios
Enquanto durmo.

Vazio É sempre um rio estiado
De todas as coisas que não fui.

Escrevo em círculos
Reciclo meus ciclos
Desconstruo
Amores
Que nunca me aconteceram.

Não idealizo
Não realizo
Não existo.

Dor é um amigo
A te lembrar
que está vivo

O ar que respiro

A ele, tudo que desejei.

12/03/2012

O minimalismo da ausência

Não se satisfazer com apenas
Insatisfação.

Me negando
Nego além
Da negação.

Em um jogo manjado
De opostos justapostos...

Transito em intransitivos
Meu sentido é incompleto
Termina em anulação.

Mas recomeça
Em ciclos
Em diferentes maneiras...

(Cada dia um golpe de ponteiro
É inevitável)

Não importa mais o eterno
Apenas se esconda
Apague o rastro
Do velho lobo antes
Da última possibilidade
Ser traçada.

Não se prenuncie.

Os dias me são palavras
Antes de saírem à garganta
Entalam-se desordenados.

Qualquer sentimentalismo
Uma asfixia incompleta.

Não me pronuncio.

Devagar
Passo em passos
Num passado
Que me é uma só
Ausência
Também passada
No pior dos sentidos.

Entenda como quiser,
Escrevo a uma pessoa
Ela não existe
Eu também não.



All my missions float away
I never trained too hard

06/03/2012

Moeda internacional

A dor é a unidade de medida universal
Se há o que não a sente
O mesmo, irremediavelmente, a causa
Uma onda mecânica
Que nos traz ao ouvido
¨À sua amada poderás somente ferir¨

A dor é a palavra que escrevo
Em meio a todo torpor
De sequer ter sido algo em vão
De ser esquecido
E dela ter perdido
O sentido.

(Pois o que dói mais
Que um vazio ausente?)

A dor é o sono perdido
Em meio a uma madrugada
Um vapor em forma de coração
As narinas o exalaram em um vidro
Que separava presença da lua
Duraram poucos segundos
Aquela visão.

Bem, a dor é uma escassez
E, por isso, uma exceção
De tudo que nao alcancei
Uma memória que não consigo apagar
Um tempo que insiste em passar
E cria chagas sobrepostas
Polidas em sucata
Das coisas que mal interpretei.

A dor se repete
De maneiras diferentes.

A dor é um toldo que nos protege
Da inevitável

Realidade

De não sentir

Absolutamente

Nada.

É, além de tudo
Uma desculpa esfarrapada.

22/02/2012

Que o que chamo de dor seja
Ao menos um exemplo
A não ser seguido.

Que se eu for ignorado também
É porque está a dar certo.

(No fundo desculpas
Para se aceitar uma derrota)

Se em alguma linha houver
Algum reconhecimento seja de lá
Quem...

Que não seja o meu.

Que não seja de mim que saia
Toda essa invenção que faço apenas
Por uma garganta fechando.

Tudo que me perpassa e me permeia
É uma péssima impressão do péssimo
Das coisas que me bastaram uma ideia.

Reciclo a sucata que vou polindo
De ideias mal elaboradas
Para desconstruir minha lembrança
Improvisando nostalgias
Sem imagem ou infância.

O sentido que só se faria
Se não fosse proferido.

Preciso de apenas uma experiência
Que me faça aceitar a morte
E de muitas outras
Para talvez entender a vida.

Entendo em mal-entendidos
Às vezes a verdadeira poesia
Me são palavras desconexas
Em certos lugares
Com certos pensamentos
E aquele vazio inexpressivo
De alguém que agora

Só consegue sentir

No inevitável ato

Da escrita.

Se me saem lágrimas
É por tudo que tive de inventar
(Também os amores impossíveis)
Por não me contentar
E por algum dia ter suposto
Que seria de meu merecimento.

Não pude prever
Agora não me contento.

E entre o ódio e a pena
Por mim mesmo
Escolho o sono.

Entenda que não há entendimento
Que a palavra trai a si
Que tudo e nada, sempre e nunca
São apenas ilusões que se tocam
Em toda possibilidade não traçada.

Entendo que por não ser bom ouvinte
Nem leitor, escrevi
Em algum lugar
O que mal ouvi dizer
Que se lê em todo livro
Escrito ou não.

Escrevo de muitas maneiras
Que não há muito a dizer.

14/02/2012

Essa estrada sem começo nem fim
Me irrita.

Os sonhos que me esqueço
Me deixam saudades.

O que poderia ter sido
É uma sucata de tudo que não fui.

Cada dia é um golpe
E fico cada vez mais frio
Até o inevitável ponto
Em que não sentirei mais nada.

(Se seria a morte?)

Um grande vazio de dor
Ecos cada vez mais fracos
De um sentido.

Me irrito novamente, já não suporto versos. Mas não há muito a ser escrito, uma história que valha ou um argumento que já não tenha sido feito. Ainda que houvesse não os saberia escrever. Para onde vou levar minha falta de levada?
Qualquer ação ou movimento valeria mais que tudo que escrevi. Qualquer soco no estômago ou dente se quebrando na boca de algum imbecil que provocou uma briga. Lâmpada se partindo e escurecendo um quarto mal arrumado. Eu não saio do lugar.

E por isso retorno
Ao mesmo ponto em que desisto
Pelas metades que me são fim.

Não sei falar
Nem ouvir
Nem compreender.

Mal entendidos sobrepostos
Em domingos de infância
Que me voltam com outro gosto.

Vai ver já estou morto
Ou me desperdiço sem resultar
Em nada além do vazio
Que me é uma só
Iminência da ausência.

11/02/2012

09/02/2012

Os dez rendimentos

Que minha desilusão não confunda os outros. Que ela faça doer apenas a mim, pois não sei me desculpar pela falta de esperança minha por qualquer coisa.

Que eu não culpe ou espere que os outros façam ou não por mim. Se o fizerem, que eu reconheça; se não, que eu saiba aceitar.

Que eu não caia em tentações diante do paraíso dos tolos. O que for bom e mentira simultaneamente não é preferível a uma verdade que dói.

Que eu não faça doer a quem não suporte, por menos que mereça viver nesta terra. Existem outros meios para guiar e ser guiado.

Que eu entenda que o sofrimento causado pelo perdão me aproxima da inevitável verdade de que minhas limitações são meu maior inimigo.

Que eu reconheça minha ignorância acerca da complexidade do mundo e suas ciências, e fixe como meta de vida entendê-las.

Que a solidão não me afete em nenhum momento ou ação.

Que eu creia no que ainda não possa entender, sem que tome por verdade qualquer hipótese ou suposição.

Que por momento algum eu permita que os instintos se sobreponham à razão ou lógica.

Que por momento algum eu tome a razão como verdade absoluta.

08/02/2012

Me preocupa o meu modo de pensar. Se não o faço da maneira como as pessoas se comunicam, fica-me a ideia de que estou alienado da realidade. Ou poderia ser o contrário, mas as probabilidades não estão ao meu favor. Não costumam a estar.

Bem, acontece de pensarmos sempre em uma pessoa, mesmo que não gostemos dela necessariamente. Algumas vezes o fazemos por gostar, ou acaba que gostamos por tanto tempo que pensar se tornou um hábito e persiste, distorcendo o que sentimos. E, sinceramente, já não sei qual o meu caso, mas julgo que começou com um sentimento sem pretensões. Sempre foi assim, sem intervalos, em certas situações com até mais de uma pessoa. Em alguns casos foi repentino, outros levaram tempo. Não tenho certeza, mas me parece que apenas inclino ao ódio quando não me procedo assim.

O que importa é que quero relatar sobre esse dia. Era a data comemorativa de tal pessoa e eu dei um jeito de me auto convidar para o que quer que fosse feito. Nisso já tinha combinado de sair com alguns amigos mais tarde até porque o tempo passou e, com isso, naturalmente, as pessoas vão se distanciando, eu não iria passar a noite inteira em onde fosse com essa tal pessoa que já não sei exatamente por que insisto em pensar. Também não fazia ideia de quem iria ir e provavelmente seriam semi conhecidos ou estranhos.

Meus dois amigos passaram no meu apartamento e eu sugeri que passássemos no tal lugar já que ela era uma ex-colega de todos nós. Claro que aquilo tudo era um absurdo e eles trataram de tirar o deles da reta. No máximo que eu pulasse lá pra dar os parabéns. E foi o que eu fiz.

Disseram que iam esperar no carro, eu disse que seria rápido. Ela estava bonita, não excepcional, bonita. O cara com quem nunca fui com a cara estava lá e ela já se envolveu com ele, e, ao que tudo indicava, estava a se envolver, ainda. Me pareceu uma piada de mau gosto, mas eu não podia reclamar de um capricho da minha imaginação ou sensibilidade. E a partir disso não fui com a cara de mais ninguém sentado à mesa, aquilo não me parecia real. Como que todos ali fossem sujeitos que decidem pairar no etéreo de uma mentira ignorante, ou se cegam aos fatos para poder despejar falsos sorrisos por aí. Uma falsa simpatia minha, dela e de todo mundo que estava consumindo ar ali. Como se todos soubessem exatamente o que se passava por minha cabeça e o motivo de estar ali. Eram também falsos. Mas eu sentia algo físico, um sufoco na garganta. Não quis continuar com aquilo, e em pé, apenas parabenizei-a e fiquei inventando qualquer prosa até esperar aquele momento em que ambas as pessoas se sentem incomodadas com o silêncio, pra daí qualquer desculpa esfarrapada pra cair fora colar.

Juntamos com mais algumas figuras da noite e caímos no centro da cidade pra jogar sinuca.

03/02/2012

De conversa para poesia

¨eu tento
nao ser desiludido
porque isso só piora
eu tento acreditar
mas que não seja numa mentira
e a verdade dói
esse é o problema¨

01/02/2012

Anágua de momento

Longe demais há algum tempo
Longo demais este passo
Que agora aguardo
Em qualquer chance de perigo.

E que minha imitação seja verdadeira.

Conforme o baralho que nos é dado
Em um jogo de propósito vago
Passeio em concepção derradeira
De um sentido que me seria

Apostado.

Se as cartas não convencem
Que o meu blefe acerte
Todos os domingos de infância
A serem recuperados
Depois de usados
Não sendo mais os mesmos...

Uma cultura à irrelevância.

Sejam garganta fechando
Enquanto me lembrar
É infeliz o meu passado
Agora que me é um só.

E essa tristeza
Eu peguei emprestada
Pra não deixar em branco
Possibilidades não traçadas.

26/01/2012

O vazio que me é difícil explicar
Talvez por querer dizer muito
De algo que não é nada
É o que digo a todos:

"Não é nada..."
E me é difícil.

O que sinto há muito tem nome
Está talhado em tudo que não fui.

E por me repetir em diferentes maneiras
Reescrevo o mesmo
Por cima do passado
Do que fez ou não sentido.

Se me importasse
Conservaria cada palavra
Como escolha feita
Mas de que adiantaria
Se o mesmo que li ontem
Já não me é o mesmo de hoje?

Aguardo perdão
Por um crime não cometido
É o que tenho feito
Esperando a desistência
Escolher por tudo
Que me bastasse
A ideia.

Que não me fizesse sentido
Nenhuma razão
E talvez o sorriso
Menos partido
Abreviasse a solidão
Em um só
Olhar para frente
Sem andar para trás

Guardarei o retorno
Para quando terminar
O caminho em que me perco
Pelas metades
Iniciando outros caminhos
Que me são fim.

Daí que dão voltas
Todas as nostalgias
Antes fossem motivação
Boas lembranças
Para tempos difíceis
Que virão.

Minha apatia por sentir
Somente no passado
Ou então no que
Poderia ter sido.

E sinto isso, sim
Nada poderia fazer menos
Sentido
Que supor futuros
De um passado esquecido.

E me dói muito
Todos esses
Que poderiam ter sido
Só que me lembrei.

16/01/2012

As cortinas se abrem. Um sujeito aparece vestido de mágico. Começa a tirar a roupa como se não houvesse uma plateia à frente. E não há. Sua expressão é a mesma desde que pisou no palco, algo com um quê de distraído. Estende as mãos com as palmas para cima, em frente ao peito, uma encostando-se na outra, observa-as e as palavras vão saindo:

Eu sou tudo que não consegui ser.
Parece-me que agora é uma iminente sala de espera
Para a desistência.

Eu sou tudo que não consegui sentir
Os dias são idênticos
Nem rápido, nem devagar.

Eu sou tudo que não consegui pensar.
O medo de uma ideia antiga retornar
E desconstruir-se.

A lágrima sem motivos é apenas mais água
Inundando um seco vazio.

O que escrevo é um meio termo da dor e nulidade
Um pouco de saudade
Da infância.

Vou reciclando a lembrança de uma sensação boa
Polindo sucata em ecos cada vez mais fracos
De mim mesmo.

De mim mesmo.

Resta-me por fim uma garganta fechando
O que escrevo me parece uma piada de mau gosto
Recomeço a terminar-me por intermédios
Onde é que foi parar meu sentido?

Minha vida tem sido uma grande negação
De mim mesmo.

08/01/2012

Morreu esquecido
E na miséria
Sabe-se lá com
Que idade
Ou ideia na cabeça
Se sentiu dor
Não importou
Nada para mim.

03/01/2012

Não me sinto embriagado
Nem disposto a beber
Não me sinto mal
Nem me lembro dos sonhos

A recíproca só é verdadeira
Se também for por negação
O que minha vida não tem sido?

Qualquer coisa além de mim.

Logo, não me basta existir.
Mal agradecido
Desprezo até mesmo
A solidão
Que me tem sido
De todos problemas
Solução.

Lidar com isso é fácil
Menos para mim.

Pois eu sempre me repito
Da primeira vez
Que me lembrei
De ter esquecido
Sabe-se lá quê.

Vítima implica na ausência
De culpa que sempre procurei
É um relato de crimes
Que eu podia ter cometido;
Busca por um perdão
Desmerecido.

Sim, por mais que não torne real
Tenho-os como refúgio
A ideia de uma ação
E me basta a ideia.

E também não suporto a ideia
De agir sem pensar
Mas de que adianta o contrário?
Tenho feito ambos.

A moeda parou em pé.
Um rito irregular
Uma ausência pendente
Dois olhos e uma cegueira
De insistir no mesmo lugar.

(Ao máximo quase lá)

A névoa de um sol poente
Tudo que não aprendi
Embaralho meus enganos
Desfazendo para errar
Além do erro que repeti.

(Se seria um acerto?)

Pois, como bem sabem
O sempre se repete
De muitas maneiras
Mas nunca é o mesmo...

Começo tentando,
Desisto,
Medeio ao fim
Para terminar
Interrompido
Ainda me repetindo
Digo a todos:
O tema é indefinido.

O câncer contagioso
da memória que perdi
Ainda se espalha
Esquecendo-se de si
E se tornando outro
afetando outras lembranças
Que me ficam pela metade
Do caminho
Que me é um fim.

É estranho, mas sinto que
Não mais posso sentir
E mesmo sem dissertar
acerca de alguma coisa
Ela está em tudo que consenti.

O que ignoro
O que permeio conceituar
Se entrelaçam numa tentativa
Ir adiante, ir adiando...

Esses opostos forçados
Tentando explicar
Em neutralidade aceitável
Uma subjetividade universal.

Escrevendo, entendo
Não sou bom ouvinte
Talvez nem leitor.

Ecos de cópias
Interpretações errôneas
Por quantas bocas passaram
Bocas que agora são areia de uma praia
Em ondas sonoras
De muitas rotações astrais passadas.

(Mas que se repetem
E nunca da mesma maneira)

Me desculpe se exagero
Se ora trato no singular
Ora no plural
Se não sou único
Nem original
Nem eterno
Nem mesmo anormal.

Não é nada.

Aceito a indiferença como perdão
Mas o melhor talvez seja
Deixar isso de lado
Trocar ideias e palavras
Por uma ação.