Que o que chamo de dor seja
Ao menos um exemplo
A não ser seguido.
Que se eu for ignorado também
É porque está a dar certo.
(No fundo desculpas
Para se aceitar uma derrota)
Se em alguma linha houver
Algum reconhecimento seja de lá
Quem...
Que não seja o meu.
Que não seja de mim que saia
Toda essa invenção que faço apenas
Por uma garganta fechando.
Tudo que me perpassa e me permeia
É uma péssima impressão do péssimo
Das coisas que me bastaram uma ideia.
Reciclo a sucata que vou polindo
De ideias mal elaboradas
Para desconstruir minha lembrança
Improvisando nostalgias
Sem imagem ou infância.
O sentido que só se faria
Se não fosse proferido.
Preciso de apenas uma experiência
Que me faça aceitar a morte
E de muitas outras
Para talvez entender a vida.
Entendo em mal-entendidos
Às vezes a verdadeira poesia
Me são palavras desconexas
Em certos lugares
Com certos pensamentos
E aquele vazio inexpressivo
De alguém que agora
Só consegue sentir
No inevitável ato
Da escrita.
Se me saem lágrimas
É por tudo que tive de inventar
(Também os amores impossíveis)
Por não me contentar
E por algum dia ter suposto
Que seria de meu merecimento.
Não pude prever
Agora não me contento.
E entre o ódio e a pena
Por mim mesmo
Escolho o sono.
Entenda que não há entendimento
Que a palavra trai a si
Que tudo e nada, sempre e nunca
São apenas ilusões que se tocam
Em toda possibilidade não traçada.
Entendo que por não ser bom ouvinte
Nem leitor, escrevi
Em algum lugar
O que mal ouvi dizer
Que se lê em todo livro
Escrito ou não.
Escrevo de muitas maneiras
Que não há muito a dizer.
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Um comentário:
Erico Garcia Duarte, nas suas loucuras, parece que te encontraste! AHUSHAU Muito bom! quero escrever assim um dia, sei que é iniciante, mas tem talento para isto!
"Só consegue sentir
No inevitável ato
Da escrita."
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