22/02/2012

Que o que chamo de dor seja
Ao menos um exemplo
A não ser seguido.

Que se eu for ignorado também
É porque está a dar certo.

(No fundo desculpas
Para se aceitar uma derrota)

Se em alguma linha houver
Algum reconhecimento seja de lá
Quem...

Que não seja o meu.

Que não seja de mim que saia
Toda essa invenção que faço apenas
Por uma garganta fechando.

Tudo que me perpassa e me permeia
É uma péssima impressão do péssimo
Das coisas que me bastaram uma ideia.

Reciclo a sucata que vou polindo
De ideias mal elaboradas
Para desconstruir minha lembrança
Improvisando nostalgias
Sem imagem ou infância.

O sentido que só se faria
Se não fosse proferido.

Preciso de apenas uma experiência
Que me faça aceitar a morte
E de muitas outras
Para talvez entender a vida.

Entendo em mal-entendidos
Às vezes a verdadeira poesia
Me são palavras desconexas
Em certos lugares
Com certos pensamentos
E aquele vazio inexpressivo
De alguém que agora

Só consegue sentir

No inevitável ato

Da escrita.

Se me saem lágrimas
É por tudo que tive de inventar
(Também os amores impossíveis)
Por não me contentar
E por algum dia ter suposto
Que seria de meu merecimento.

Não pude prever
Agora não me contento.

E entre o ódio e a pena
Por mim mesmo
Escolho o sono.

Entenda que não há entendimento
Que a palavra trai a si
Que tudo e nada, sempre e nunca
São apenas ilusões que se tocam
Em toda possibilidade não traçada.

Entendo que por não ser bom ouvinte
Nem leitor, escrevi
Em algum lugar
O que mal ouvi dizer
Que se lê em todo livro
Escrito ou não.

Escrevo de muitas maneiras
Que não há muito a dizer.

Um comentário:

Kyara Layne disse...

Erico Garcia Duarte, nas suas loucuras, parece que te encontraste! AHUSHAU Muito bom! quero escrever assim um dia, sei que é iniciante, mas tem talento para isto!

"Só consegue sentir

No inevitável ato

Da escrita."