15/07/2013

Autorrepeticrítica

Na redundância de minha ausência
Há um túnel escuro
Não vejo fim
Não vejo luz.

Na luz de todos o dias
Que agora me são os mesmos
Vou pela penumbra
Tentando me equilibrar
Nessa corda longe de ser bamba.

Me arrastando de volta para a cama
Com uma doença inventada
Ou um modo diferente
De se dizer o que não quero ouvir.

Escrever pra mim mesmo
É minha única expressão
Mas como julgar alguém
Que sequer conheço?

Me impressionando com pequenos malabarismos
De palavras repetidas
Tentando forçar aquele aperto na garganta
Com o quê?
A tristeza que me dá por ler
Sucatas polidas do que me restou?

E o que foi que me restou?
Não sou nenhum coitado.
Nem me sinto culpado.
O barato acabou.

Esse falso Orfeu
Em abstinência do vício que não teve
Cansado do esforço que não fez
Vai se cegando
Pra depois se calar
E não reclamar nunca
De que não há luz.

Cinismo, burrice ou orgulho
Se arrependerá
Quando for tarde demais.

A quem tento enganar?
E o mais importante, por quê?
O que quero provar?

Não sou invisível
Ocupo espaço
Preciso de ar.