Na redundância de minha ausência
Há um túnel escuro
Não vejo fim
Não vejo luz.
Na luz de todos o dias
Que agora me são os mesmos
Vou pela penumbra
Tentando me equilibrar
Nessa corda longe de ser bamba.
Me arrastando de volta para a cama
Com uma doença inventada
Ou um modo diferente
De se dizer o que não quero ouvir.
Escrever pra mim mesmo
É minha única expressão
Mas como julgar alguém
Que sequer conheço?
Me impressionando com pequenos malabarismos
De palavras repetidas
Tentando forçar aquele aperto na garganta
Com o quê?
A tristeza que me dá por ler
Sucatas polidas do que me restou?
E o que foi que me restou?
Não sou nenhum coitado.
Nem me sinto culpado.
O barato acabou.
Esse falso Orfeu
Em abstinência do vício que não teve
Cansado do esforço que não fez
Vai se cegando
Pra depois se calar
E não reclamar nunca
De que não há luz.
Cinismo, burrice ou orgulho
Se arrependerá
Quando for tarde demais.
A quem tento enganar?
E o mais importante, por quê?
O que quero provar?
Não sou invisível
Ocupo espaço
Preciso de ar.
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