07/11/2011

Agenda 2011

Escrevo nos dias passados de minha agenda
Para que não mais me passem em branco
Escrevo qualquer coisa, escrevo nas linhas
Tentando ocupar o opaco de me ser
Escuro e indeterminado.

Não vai sobrar nada
Nem uma linha
Depois decido
Se possui ou não
Sentido.

Fazer me ocupar preenchendo o branco
De uma possibilidade daquelas
Até porque não sou eterno
E já não me importo em me repetir
Vou repetindo além de qualquer coisa
Repetida além de mim.

Transcreverei depois aqui
(Aponta para o coração)
Pra eu me mostrar o que penso
A respeito de mim mesmo
Se é claro, eu conseguir.

Me aguardo.

06/11/2011

A minha língua é um olvido
Brinco com os sentidos
Quando criança ouvia o nítido
Pesar de um vazio.

Acordei num mundo de clarezas
Incompleto e amanhecido
Toquei no frio e desconhecido
Sentido indefinível.

Pois eu me contradigo
Em todos os gostos do antigo
Que me lembram uma intempérie
Grave e desacontecida.