08/02/2012

Me preocupa o meu modo de pensar. Se não o faço da maneira como as pessoas se comunicam, fica-me a ideia de que estou alienado da realidade. Ou poderia ser o contrário, mas as probabilidades não estão ao meu favor. Não costumam a estar.

Bem, acontece de pensarmos sempre em uma pessoa, mesmo que não gostemos dela necessariamente. Algumas vezes o fazemos por gostar, ou acaba que gostamos por tanto tempo que pensar se tornou um hábito e persiste, distorcendo o que sentimos. E, sinceramente, já não sei qual o meu caso, mas julgo que começou com um sentimento sem pretensões. Sempre foi assim, sem intervalos, em certas situações com até mais de uma pessoa. Em alguns casos foi repentino, outros levaram tempo. Não tenho certeza, mas me parece que apenas inclino ao ódio quando não me procedo assim.

O que importa é que quero relatar sobre esse dia. Era a data comemorativa de tal pessoa e eu dei um jeito de me auto convidar para o que quer que fosse feito. Nisso já tinha combinado de sair com alguns amigos mais tarde até porque o tempo passou e, com isso, naturalmente, as pessoas vão se distanciando, eu não iria passar a noite inteira em onde fosse com essa tal pessoa que já não sei exatamente por que insisto em pensar. Também não fazia ideia de quem iria ir e provavelmente seriam semi conhecidos ou estranhos.

Meus dois amigos passaram no meu apartamento e eu sugeri que passássemos no tal lugar já que ela era uma ex-colega de todos nós. Claro que aquilo tudo era um absurdo e eles trataram de tirar o deles da reta. No máximo que eu pulasse lá pra dar os parabéns. E foi o que eu fiz.

Disseram que iam esperar no carro, eu disse que seria rápido. Ela estava bonita, não excepcional, bonita. O cara com quem nunca fui com a cara estava lá e ela já se envolveu com ele, e, ao que tudo indicava, estava a se envolver, ainda. Me pareceu uma piada de mau gosto, mas eu não podia reclamar de um capricho da minha imaginação ou sensibilidade. E a partir disso não fui com a cara de mais ninguém sentado à mesa, aquilo não me parecia real. Como que todos ali fossem sujeitos que decidem pairar no etéreo de uma mentira ignorante, ou se cegam aos fatos para poder despejar falsos sorrisos por aí. Uma falsa simpatia minha, dela e de todo mundo que estava consumindo ar ali. Como se todos soubessem exatamente o que se passava por minha cabeça e o motivo de estar ali. Eram também falsos. Mas eu sentia algo físico, um sufoco na garganta. Não quis continuar com aquilo, e em pé, apenas parabenizei-a e fiquei inventando qualquer prosa até esperar aquele momento em que ambas as pessoas se sentem incomodadas com o silêncio, pra daí qualquer desculpa esfarrapada pra cair fora colar.

Juntamos com mais algumas figuras da noite e caímos no centro da cidade pra jogar sinuca.

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