09/02/2009

Bola cor de rosa.

Cabeças corretas! Sexo indefinido e música prazerosa. Levado para outro mundo, de quem eu falo? É simples: explosões! Mas não, essa é a impressão que tenho, a lembrança que tenho. Mas mesmo sendo lembrança, não entendo porque continuo a me transportar para um mundo com ideais concisos e totalmente sem senso ou objetivo. Um pequeno jogo de expressões, cálculos, fórmulas, especulação de valores; o suficiente para prender atenção, requerir um nível de raciocínio, por mais bobo que seja. Mas o fato é a música, a música que me fez acreditar que tudo aquilo era bom o suficiente para eu me lembrar, sorrir e me transportar. Érico, onde você quer chegar? Eu continuo a dizer que o som sintético do teclado faz meu cérebro liberar a sensação nostálgica e prazerosa que me faz querer escrever de olhos fechados. Agora pare de impedir o fluxo e expresse seus desejos. Eu quero sexo oposto, eu quero querer sem me reprimir. Se eu estou me salvando de mim mesmo, como posso saber do que fui salvo se o "eu" está sendo impedido de penetrar nas teias de uma caverna escura onde uma aranha com o cérebro para fora grita de uma maneira assustadora? É, é, é e é. Sim, suspiro, tempo, e agora? Agora você vai dizer as mesmas baboseiras cansativas de sempre e blá blá blá blá, indignação com a autorrepressão, exprimir vontade de superação, e voltar a se reprimir porque querer superar tudo é coisa de enrustido, e que na verdade não é um fato de superar. Você é. Eu sou. E agora? E aí novamente caio num ponto sem sentido onde não haverá ponto pois não há sentido. Mas mesmo assim, a música... Música começa com "m". Hilário. Descreva agora o que vem, descrevo: Beat, algo por trás, lembra água. Velocidade com ritmo, lá vem. Isso, prazer. Coisas boas, menina que eu gosto. Ritmo, água, lugar plano. Menina que eu gosto, ela está sorrindo. Elá está lendo o que estou escrevendo, e de repente entende a descrição da música, sente o que estou sentindo, projeta a música na sua mente, sorri, fica reflexiva. Vale? Novamente. Mesmas batidas, mesma menina. Ela é tão linda que não quero ser vencido pela beleza. Quero esse momento em um lugar plano com água em canais onde a música é transportada pelo vento. Sem carícias, sem insinuações a não ser as de um sorriso. E lá vamos de novo. Caindo em uma especulação de um iludido. Escreva mais, escreva tudo que vem, a menina bonita, o personagem assexuado. Explosões de várias cores, sinestesia total. Quando uma coisa recebe "total" no final é muito homossexual, e quando rima, é pior. Mas eu não ligo pois tenho minha música e minha miragem ideal. Ó não, iludido! Eu quero ao menos um pedaço da realidade para sentir os pés no chão. Mas não, haverá trauma. SEXO SEXO SEXO SEXO SEXO SEXO SEXO SEXO, TRANSAR TRANSAR TRANSAR TRANSAR. É como se estragassem tudo mas não tem motivos para isso já que é uma coisa natural. Mas é como um trauma que não deveria ser, a conotação que a sociedade implica a algo tão natural; torna-se então em algo sujo, artificial e traumatizante. Não quero ser como as pessoas comuns, logo vou me negar a ser pessoa! Raciocínio mais burro que esse, só o de acreditar na possibilidade de um amor na vida real, um momento de águas em foz delta no infinito do branco. As cores psicodélicas vêm logo depois, em um formato de losango, que logo toma conta de tudo, indo e vindo, e então eu me pergunto: qual o motivo disso? É para não ter sentido? Quero chamar atenção? Quero o que eu não posso ter? É assim que vou morrer? Perguntinhas existenciais gays? Auto piedade? Não mesmo! SIM MESMO PERDEDOR. Repreensão, mas não ódio. Dúvida. Repreensão por dúvida, auto boicote! Extermínio das possibilidades de chance para que então não haja chances de ter chance! Logo vem o bom pensamento que se eu não fizesse isso eu poderia ter uma chance; trocar doce por açúcar. Negar a matemática do acaso. Como sou burro, como sou isso, como sou aquilo, como devo mostrar que entendo o meu erro para que eu mesmo acredite que entendo um erro que sequer sei se é erro. Érico, você não tem amigos de verdade porque o amigo de verdade para você jamais seria seu amigo. Mas você gosta de se imaginar com o melhor amigo, ou até sendo um melhor amigo. Você se imagina com o melhor amigo pois na imaginação tudo é possível. Érico, você tem um novo amigo. Seu amigo sou eu. Eu sou você. A reconciliação de uma briga congênita e química, feita por música de teclado sintético! Eu sei onde isso nos levará: você quer que seja no lixo tóxico auto destrutivo do seu pensamento negativo, mas o seu melhor amigo diz que o imparcial é pura obra do acaso! É trocar açúcar por doce, mas não deixa de ser uma troca. Érico, se eu te amar, você admite que ama também? Sem banalismo, sem condições, sem essa de "Ah Milla, se você soubesse como penso", porque terminar assim queima o filme e dá impressão de romântico ortodoxo. Ortodoxo que me lembra roxo, que me lembra uva, é a cor onírica, fruta do vinho, Baco e Dionísio. Ultrapassado. Sim, eu levo em conta que essas exaltações sejam um sentimento superior. A ansiedade e o artrópode dancante em minha traquéia, com seus pelos que penicam e fazem o seco da garganta parecer um deserto cheio de cactos. Érico, cactos conseguem armazenar muita água, logo você está sendo ambíguo. Érico, você ama a ama ou ama acreditar que você a ama? Você sabe que a realidade pode alterar essa condição, e só negando a realidade para não haver tal. O artrópode é fruto da sua decepção com a realidade, ânsia da sua idealização mental ou um mixo entre ambas situações. É claro que você sabe. Érico, o que te faz ser assim, acreditar que palavras próprias mudariam a postura das outras pessoas, não a sua? É disso que se faz um texto, um livro. Mas eu sou mera ferramenta que também pode ter o seu uso entre dois extremos. Eu posso acabar mudando também, assim como também não. Érico, o que você vai fazer? Eu continuo a não saber muito bem, só que agora além disso eu amo.

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