12/11/2009

Se fosse para descrever, não uma situação, não um sentimento, não o ato em si, qual seria o alento?
A rima, o lirismo, o que priva, ou o que sacrifica? Se inexiste, o globo ainda circunda a si. Átomo universal, elíptico e exato, existente nas minhas inexistências e na plena igorância, eu suponho. A cada existência que privamos em prol da matéria, ou de todas as conjecturas possíveis a partir desta; projeções e expectativas; momento epifânico e nostalgia, é onde sentimos o apoio da vida recair. Não pela perda, mas o deleite criado pelo que se priva. A demanda varia, o tempo nunca, ele está acima dela e cobra diminuindo o espectro de possibilidades. O vórtice que a cada segundo está a se apagar, é o mesmo que cria a partir da troca de sentidos, experiências, imaginação. A batalha não é perdida se o que se cria da destruição a compensa. Turbilhão entre o criativo e o fim, que este justifique o antecedente, mas não foi assim que Maquiavel pensou. Mas a mim, o fim justifica o início. O meio é apenas o que existe entre eles e as ligações para que façam parte de uma unidade, verossímil ou não. A prerrogativa justifica o método, e é por acaso que acaba por se fazer. Acaso genético, neurológico, ambiental, empírico...

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