19/03/2011

O que me restou, além de nada
Um papel amassado com algum recado
Pra alguém que nunca existiu.

O barulho efervescente
Do tempo que passou.

Um zunido no olvido
Diz que é além do que se viu
Se senti, foi resposta involuntária...

Vontade de viver, só meu corpo tem.

Sonhei com serpentes, um templo-chácara...
Um sapo engoliu completamente um peixe grande
E um filhote de pato, ferido, não engolia nada

Ia morrer.

Um animal tão delicado, procura na água
O que não encontra no ar.

E as serpentes não mordiam, dormiam
O sono que tive elas compensaram
Não acordei disposto.

Pensei qualquer coisa pra se pensar
Que quer que saia, não será como imaginei
Se seria, já não é mais
Sou o ser que deixei.

Quebrei um vaso de rachaduras.

Uma serpente grande enrolou em meus braços
Não tive medo. Formaram-se laços
Alguma coisa que fiz, influiu ali
Mas não entendi.

Eu só encontrava varas de pescar
Queria uma lança, queria ação
Mas parecia um lugar tranquilo, ancião
Onde tudo fluia devagar....

Mas meu sonho me foi como que rápido
Acordo deslocado, faltou algo...

Vejo qualquer sonho por fora de meus sonos
Mas nunca é meu.

Foge voando.

Este frio fractaliza meu devaneio,
Nunca é sempre e sempre é nunca.
E o zunido eterno não é o mesmo de antes.

É a estrada noturna que leva ao desconhecido
São as ideias que tive de um templo esquecido
O tempo, sim, o tempo me passa aos entrecortes
Um segundo que foi infinito
E uma eternidade que era de outra, recortes...

Acordado me resta o corpo, uma leitura, algum som
Toda a apatia de ser passivo e descuidado
Todo o céu só visto através de janela
O tempo que desperdiço a pensar no desperdício
Que é passar o tempo a pensar no tempo que passa
Fora das janelas de meu céu
Passam carros nas ruas, penso em luas
Penso que homem algum pisou nelas
E eu não serei o primeiro.

Penso apenas em que seria mais fácil não pensar.
Mas me importo com opostos atraídos
Me importo com as maiores desimportâncias
Estou vivo por acaso

Através de um céu que dá numa janela...

Andando em fiapos de lembranças que não vivi
Me equilibro em um deles
Mas caio novamente no infinito que não existe.
Como imaginar o que não penso? Como seria?

Qualquer coisa além de mim.

Medir falta de medida desmede o que foi medido.

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