01/05/2010

sublimando

Olhando do alto, bambeio-me à queda; pelo bom, enfureço-me pelo egoísmo apático de me conter com o que desejo em ciclos fechados de ambições. Tudo ao meu redor de nada tem de inexpressivo, pois quem é sou eu, e se sou, expressaria se não fosse, eu, tão inexpressivo. Criei barreiras intransponíveis do meu mundo para o mundo real. Não pertenço ao tempo, não pertenço às lembranças, não se trata sequer de pertencer. Os vales neblinados e misteriosos que imagino enquanto estou a pairar no pináculo do devaneio, eles representam o futuro. Na mais suave nuance que por detalhe mínimo consigo perceber na música, faço meu dia. Uma câmera analisando tudo em círculos, círculos cada vez mais perfeitos, em câmera lenta, de trás para frente, distante, como que distraída, como que espontânea. Como que em trocas de olhares que nunca são levadas adiante, como em um truque de mágica que se prefere não entender o mecanismo da enganação; sim, a mágica da vida, onde eu prefiro não entender a irascibilidade dos fatos, o padrão inerte e invisível em tudo que se sucede. Abrangido o tempo em minha consciência, espalho-o, espallho-me em dores na garganta. O coração quer explodir, quer sair de meu corpo que insiste em não aceitar que a vida é bela demais para se lamentar, bela demais até para se lembrar.

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