E, então, lendo as coisas que escrevi,
Me envergonhei por clamar por uma vida que não possuo
(Entenda como quiser)
Me envergonhei por cada palavra ser uma prece para um velório
Que ainda não sinto a todo instante que qualquer instante
Já não me faria diferença...
Sim, o pior não é morrer.
E qualquer instante agora me é todos os instantes juntos
Até os que não me vieram e os que não me virão.
Às vezes não sinto qualquer coisa além de mim
Com isso, angústia e ansiedade
Não sei escolher.
E quem permite opções tortura-me sem o saber
Do mesmo modo que seria déspota se não o fizesse...
Afinal, nem um nem outro, pois não sei escolher.
Minhas cartas de amor ridículas eram notas de suicídio
Me enganei por muito tempo
A imagem através do espelho não é mundo algum.
Sim, o pior não é o nada
É sentir-se nada ainda que não o pior.
Insisto em dizer que não é nada, que vai passar.
(Mas como, se me é uma rua?)
Não esqueci a dívida
Essa dívida que poderia muito bem ser um nome.
Quero me livrar do peso de meu próprio corpo
As coisas que mais me importam não têm importância
Mas não farei nada para que isso aconteça
(Não sei escolher)
Entenda como quiser.
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