Me ocorre raramente, meio epifania ou clarão
Que meus problemas são no máximo pequenos
Ainda que insolucionáveis de cura; venenos
São raiz de uma (ainda que impossível) solução.
Pois vejo a quase nulidade de um desejo
Como o arrendondamento para menos que sou
(Em círculos, sim, o que no fim me sobrou)
De uma noite qualquer coisa qualquer que almejo
Você como noite de meus venenos
É a falta de intenção de dor sentida
Criei em contra partida
(A tudo que, sendo eu limite, a ti limitaria)
No fim-de-tarde-todos-os-dias que fiz um sonho.
E a partida nula de o que retorna como desejo
É em círculos insolucionáveis (ainda que possíveis)
De um amor por acidente (daqueles irresistíveis).
No fim de qualquer estação nostalgia que guardei
Cartas de amores não enviadas...
(Voam em qualquer por do sol que nos faltou um dia)
E que não me importando os fatos
A verdade apenas eu preciso saber.
Ainda que não me importe
Ainda que eu sonhe com sua imagem
Ainda que me seja algo (Digo a todos: não é nada...)
Ainda que todos os aindas de todo eu que já não é
Que já não sou...
(Qualquer coisa além de mim)
Esse escuro universal que é mudo e cega
Mas que dentro de mim vê
Apenas eu preciso saber.
E cada estrela não mais longe que um sonho
(Ainda que você me amasse...)
É um sorriso que não consegui mostrar
Me é uma garganta fechando.
A impossibilidade talhada em meus dizeres
Dizem em ir e voltar, qualquer lugar
Mas não vou a lugar algum.
E o perdão que talvez em entrelinhas suplico
É pelo sangue derramado
De qualquer brincadeira de criança que me voltou
(Me lembro de ter sido feliz)
Estive a monologar comigo por muito tempo
E aprendi a me entender, me respeitar
E não me culpar por ser algo que me foge
(O pássaro da liberdade que não mais voou)
O que me foge é qualquer coisa além de mim.
Quantas vezes irei repetir?
Não me importa, no fundo...
É repetindo que repito além do que foi repetido
E medir falta de medida desmede o que foi medido.
O pequeno ponto em superfície de mar
(Sentimentos profundos em raro chegam à superfície)
Era um bilhete escrito, uma história
Que até aqui, por outras maneiras, contei.
E se minha solidão cansar da proteção
Que a si mesma impõe
Para criar qualquer coisa que sinto
Para não mais me sentir sozinho...
Estarei lá.
Qualquer lugar.
Lembrar é supor que se esquece
E eu não me lembro de ter equecido.
Você qualquer coisa que me é só uma.
(Jamais uma qualquer...)
Você jardim secreto que ainda me falta chave
Fechadura-passado de qualquer melancolia enferrujada
O seu tempo passa de outro modo que o meu
Mas ainda espero do lado de fora
(passando na mesma rua que não me passa)
Em tempos modernos que escrevo
Seu nome em qualquer lugar.
Qualquer lugar é seu nome...
E que o piano em surdina de qualquer cena romântica
É a definição perfeita de como os dias têm sido:
O silêncio que me diz muito
Ao máximo quase lá.
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