05/04/2012

Me recuso a escrever palavras não faladas
Quando imagino o que não existe
É por um eu que também não existe falando por mim.

Quando escrevo
Sou eu falando para mim mesmo.

Mas como se ouve alguém
Não existindo?

Cabresto de mim mesmo
Em todas as direções opostas
Que dão no mesmo caminho
Entre becos sem saída
De tudo que não fui.

Escrevo mal, escrevo pessimamente
Sem a licença dos poetas
E toda sua merda metrificada
Desregrados sistemáticos.

E o que eu penso não interessa
Retiraria tudo o que disse
Por algo que fosse ainda mais retirável
Aposento minha palavra
Em reticências...

O que escrevo é um vazio
Patinando na lama
De todos os meus arrependimentos
Que já não me fazem sentir nada.

Sequer um exemplo a não ser seguido.
Um burburinho pedindo
Silêncio.

Um comentário:

luiz felipe disse...

sensacional érico, mas ow, some não, vamos sair