21/04/2014

Não quero mais poesia
Não quero mais livre associação
Encarando meia hora de branco
Vazio-decepção.

Escrevendo aos poucos
Reverbero em ecos distantes
Ondas cada vez mais fracas
Em tempo que condensa.

Eu via algo em seus olhos
Uma leitura rasa que inventei
Tropeço em mim mesmo
Me falta algo, me falta alguém...

Me obrigo a isso
A aceitar
Que no fundo não sou nada
Não tenho nada
Não quero nada
Nem ninguém.

Um espectro entre curiosidade e paciência
Entre releituras de outros mundos
Em outros seres.

Escrever em processo mecânico
Uma ideia sem ação
Em constante mudança
Mas sempre o mesmo.

Sou um processo mecânico
Sou um circuito fechado
Reações químicas em um corpo
Vou supondo.

Não existe verdade, nem certo
Não existem dualismos
Está tudo solto, em elipses
Circunferindo-se em si
Expansível e retrátil
Poeira estelar.

Nem disso estou certo
Nem sei se errado,
Duvido da dúvida
Preso no linguajar.

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