10/03/2010
Hilariedades contemporâneas.
Eu sou um desses casos. No meu orkut, nego minha imagem mas me uso de trabalhos feito por outras pessoas para expressar minha invdividualidade. Não é hilário isso, apresentar uma idiossincrasia por meio de coisas que não vêm ou não são feitas por você? Sim, eu sei que existe toda aquela empatia implícita, que da arte se faz mais pelo que vemos dela pelo que ela é em si, mas é de certa forma um egoísmo que nos é dado. Eu posso interpretar do jeito que eu quiser. O artista passa uma leve impressão apenas, que vai depender muito mais do que eu penso do que a obra propriamente dita. O que eu penso nem faz sentido. Nada faz sentido pra mim. Vejo no máximo regras aproximadas, leis próximas, mas nunca completas. E mesmo nada fazendo sentido, isso me faz sentir muito. Saber que para mim as coisas não fazem sentido, que para mim levantar da cama e encarar a realidade é de um esforço descomunal, isso me desespera muito. A impotência de Kafka, que sinto asco só de ler- porque é como se ele perscrutasse meu âmago, descosturasse minha alma linha por linha, gene por gene-, ela me mostra que não estou sozinho, não sou o único. Mas isso não me satisfaz, continuo inepto, inapto, inerte. A nostalgia é o sentimento de mais força que possuo. O passado pra mim é como o silêncio: valem ouro. Mesmo que no presente tudo se passe por sem sentido, no passado parece simplesmente se encaixar como algo que prezo apenas por lembrar. Como uma música que há muito não ouço, mas que em tempos de merda, era um uníssono de indiferença da minha condição. Eu minto, algumas coisas me fazem sentido, sim. Música é uma delas. São pequenos sentidos, que em meio a um geral de tudo de somas e subtrações, não me satisfazem completamente. É um débito condicional em que me encontro, uma subtração inescapável. O barulho dos ponteiros a se debaterem não me escapa do pensamento. Bomba relógio, não estou aproveitando, não estou milionário, não estou namorando a garota dos meus sonhos, não estou curtindo a vida adoidado, não estou satisfeito, não, não, não, nada, nada, nada; deveria estar mas não estou, deveria estar mas não sou, deveria ser mas não estou, deveria ser mas não sou. Quem é o sujeito imperativo do dever, eu não sei. Mas ele deturpa, filtra, mete não só a colher- como todos os talheres- no meio da minha história. Quem é você? Você é meu modelo de como eu deveria estar a viver? Você é minha insatisfação? Mas eu sequer me sinto insatisfeito, eu me sinto invariável por mais que meus pensamentos mudem, meus atos continuam ininterruptos e homogênios, todos mecânicos, e, apesar disso, não consigo manter hábitos. Até o que me é necessário como comer e dormir, nunca os faço com hábito e singularidade. Creio em muito do que é dito na bíblia mesmo sendo ateu. Não gosto de Clarice Linspector mesmo possuindo momentos de ambivalências semelhantes aos dela. E no meio dessa falta de sentido, a dor. Estranhamente, claro, pois mesmo de que com dor eu estar sentido, nada me faz sentido. São sentidos diferentes... Mesmo não tendo sentido.
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