29/03/2010
Making my own world.
Círculos cada vez mais perfeitos. Sobre tudo ser uma cópia da cópia da cópia da cópia, talvez no fundo seja realmente verdade. Eu não gosto de poemas, porém, música para mim é poesia; me faz imaginar milhões sem que uma única palavra tenha sido dita/cantada, me toca na existência e por alguns segundos não sinto o erro de existir. Uma progressão de sons encadeiam certas reações, certas sensações nostálgicas, simpáticas, evocativas; um mundo que não existe mas que por alguns segundos me senti nele; uma palavra que não foi dita mas que ecoou por entre minhas têmporas e meu pensamento vazio. A nuance perfeita, cores advindas da inocência de propositalmente arranjar notas musicais específicas uma após a outra. É pretensão inocente, pois me agrada o ato de insulflar o mundo próprio para além da consciência neural, mecanizar sonoramente os processos da existência matemática, biológica, imperceptível aos sentidos. Mas por que a música? Eu que não creio em sentimentalismo, imagino cenas dignas do maior senso comum da galáxia só de ouvir algo que inexplicavelmente é de meu agrado. Eu que, como ilha gostaria de me imaginar, crio atóis e arquipélagos em milésimos de segundos, migro com os pássaros para sempre algo próximo do branco e do sensível. Por alguns momentos, me esqueço da dor, me esqueço do compromisso com a vida, me esqueço de tudo que me preocupa; esboço um sorriso só de lembrar, afinal, ninguém é simpatizante da apatia; me esqueço de esquecer que o doce e o suave se juntam, posso sentir o gosto, posso ver as cores de um mundo, um mundo que não existe.
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