1
Para ela guardei meu último olhar
E o arrependimento de não ter sido
O primeiro.
Por trás de minha falsidade mal simulada
Escondi algo de verdadeiro.
Era rescém nascido da eternidade
A prevenção de um desespero.
Custa caro protegê-lo...
Erro previnir erro.
E me acertando no que vejo de errado
Vou deixando-o guardado.
Não é desse mundo derradeiro.
2
Estranho pressentimento que, existindo
Evite que algo exista, estranho que
Pressentindo, algo existe ainda que evitado.
Então do retilíneo, um baque...
Talvez sejam apenas pretenções que guardo
E que se não existem, não faz diferença guardar
Por isso que além de mim não deixo passar
Para aquém de você não me tome por passado...
Mancando, mas tentando passada normal
Vejo-me patife, lutando contra a nau
Que vai ancorando pelas noites que não dormi.
Sem armas, como um normal que não me atina
Carrego a cruz que não me destina
Crucificando os dias que não vivi.
3
Pode parecer exagero
Mas amo de um jeito
De rasgar o peito
Mas não é desespero.
Mutilo-me em inexitências
Das existências que não me vieram
Que antes de nascer, morram
Para então serem resiliências
Do passado que não tive...
Do presento que não vivo...
Do futuro que não virá...
Da espirituosidade que não tive...
Da carcaça corpórea que não me faz vivo...
Da geniosidade que não virá...
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