Por não suportar que a vida acaba
Inventou o eterno...
Não suportando a muralha de que é capaz a voz
A boca calou-se na outra...
O vento ressoa pela primeira vez a uns
Ressoado por outros em outros tempos
Esgueira-se no espaço em que se ocupa
Como se fosse coisa que não é coisa
Murmurando sem ser visto...
Mas pode ver se escutado
E tocar sem ser tocado
Aquele que um dia soube
O que é ser vento ressoado.
Sabe mesmo o que é solidão?
Não suporta o próprio olho no olho
Refletido do espelho?
E dos desvios de qualquer aproximação...
Murmúrios de calma madrugada
Não pode ser visto na noite calada
Mas vê se escutado
Mesmo que em cego caminho...
É também ocupante do espaço
Ainda que buraco negro.
A dúvida de não ser certo sequer de si
Ainda que buraco negro
Foi sol de planeta
onde murmuraram os ventos...
Dos princípios, a incerteza.
Que sem ela, não estaria, disso, certo.
Certo em talvez, tais vezes...
Na vez em que fui o vento e não seu murmúrio
Em um quarto escuro
Onde não havia ninguém...
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