20/02/2011

Por não suportar que a vida acaba
Inventou o eterno...
Não suportando a muralha de que é capaz a voz
A boca calou-se na outra...

O vento ressoa pela primeira vez a uns
Ressoado por outros em outros tempos
Esgueira-se no espaço em que se ocupa
Como se fosse coisa que não é coisa

Murmurando sem ser visto...

Mas pode ver se escutado
E tocar sem ser tocado
Aquele que um dia soube
O que é ser vento ressoado.

Sabe mesmo o que é solidão?
Não suporta o próprio olho no olho
Refletido do espelho?
E dos desvios de qualquer aproximação...

Murmúrios de calma madrugada
Não pode ser visto na noite calada

Mas vê se escutado
Mesmo que em cego caminho...

É também ocupante do espaço
Ainda que buraco negro.

A dúvida de não ser certo sequer de si
Ainda que buraco negro
Foi sol de planeta
onde murmuraram os ventos...

Dos princípios, a incerteza.
Que sem ela, não estaria, disso, certo.
Certo em talvez, tais vezes...

Na vez em que fui o vento e não seu murmúrio
Em um quarto escuro
Onde não havia ninguém...

Nenhum comentário: