25/04/2011

Maneiras

Correr no suspenso de meus passados que inexistem
Fechar os olhos que são molduras de quadro inacabado
As portas que entrei eram janelas
De vista a todos os dias da rua que havia passado
(Se sou engraçado?)
Rua que não me passa...
Atrasando o próprio atraso
Medir falta de medida desmede o que foi medido
Eu poderia correr sem rumo, mas prefiro andar
Em círculos perfeitos...
De arremesso a qualquer tacada
A máscara do disfarce já não me sai
E quem sou eu senão muitos que finalizo?
Não espero mais nada, a fonte secou
E o canto de antes agora é mudo
Vejo um preto-interrogação de amanhã
Que é também um pouco dos dias
Que por não me passarem não vão a lugar algum
Meu corpo é uma dívida
E qualquer simpatia, uma solidão
Se protegendo de si mesma...
Fechar os olhos já não me faz diferença
Não que eu saiba o que vejo
(Quem sou eu senão muitos que inventei?)
Escutei de minha própria boca independente
Amar é o mais nobre dos esquecimentos
Entendi porque tudo me vinha pelas metades...
E você que não entende eu não querer nada
Ser egoísta o suficiente em não amar por mim.
Talvez tenha me importado vez ou outra
Mas é qualquer coisa além de mim, sim...
Indefinível, porém inteligível
Ainda que o perceba por sentidos
(Sentidos de cidade pequena)
Dos olhos por olhos de um mundo cego
Pois quem cega acredita ver...
Pode ter ficado para trás em algum dia que viria
E o que me faltou pode não chegar.
Antigamente eu era qualquer coisa
Qualquer coisa além de mim
Sentindo isso novamente
Ainda que não houvesse sentido antes
Me é agora uma garganta fechando.

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