20/04/2010

Night but day...

A música tem o seu sentido que, eu não diria insólito, pois, muitos devem usá-la com o mesmo propósito meu. Eu não preciso de alguém. Eu não preciso de quem preciso. Estou livre, seja livre apenas pelo tempo de duração daquela sensação que só aquela música conseguiria produzir, que só aquele soluço agudo no silêncio da incerteza de que se deve ser certo, certo de algo, conseguiria exprimir. De algo, pois, me fiz então. E agora? Arranje um emprego. E agora? Eu não sei, se case. São ciclos, são círculos, são todos cada vez mais perfeitos. Todos quem, todos quais, todos a quem digo que são, mas, se são, não saberia dizer. Não me importo, mas importar-me devia. Parcial do início ao fim, recorrer ao que foi recorrido, me usar do que já foi usado. Não é um crime, nem é errado. Tudo foi falado. Meu contexto é outro, a minha história é nova. Se é- se sou-, saberia, se não, não. Nego, menos de mim, mais de ninguém. Pra todos, se mais, tanto faz, não ligo. Vê? Desculpo-me por não me importar, por não me desculpar. Pois, se me importo, sinto, se sinto, sinto muito. O devaneio me chama, envolve seus fios membranosos azuis céu e turquesa à mão, me chamam para uma fantasia, uma fantasia de um bom alguém, de um lugar incorruptível. De imaginar cenas puras e jamais tocadas pelo dedo humano, de sobrevoar vales neblinados com o mais profundo mistério. Eu não busco o perfeito, eu não busco o defeito. Busco, apenas, do meu jeito. Machuca pouco, se, olhos não passam pelo que sustento, que por boba crença de criança- daquela que de timidez alcança o limite entre o ignorante e a inocência- imagino das mais belas belas, da redundância do ideal, um tempo mais que perfeito. É um pecado, é uma estigma, criar por palavras toda minha sina, todo meu alento. É dele próprio ,senão, que tiro meu sustento. Os tempos mudaram, a noite é longa, e eu continuo a continuar, continuo sem parar, a não saber se devo ir ou ficar, dormir ou acordar.

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