05/03/2011

Nascido a perecer
Foi da morte surgido
Que antes destruido
Está agora por desfazer

Mistérios na areia
E todas as soluções
Desenho ilusões
Das quais o mar enleia

Reflete a luz em espelho
Que por dentro é outro mundo
Por fora é apenas refletido

O sol que ali bate
Volta a si parte de luz
De outros mundos de truz

Além desse, além desse.

Venho com a palavra não pronunciada
Com a intenção amarrotada em mentiras
Vertigens de uma verdade não validada
Vêm anunciando do caos e das liras
Cria em duas direções a inspiração.

E estando entre elas, não me inspiro a nada...

Mas eu, que me calo, como irei dizer como se calar?
Que da morte fui nascido para então novamente morrer?

Não adiantou ser a pessoa certa,
O momento era errado
As palavras também.

Tem sido errado por minha existência
Insistida em escolher a falta de escolha
Escoando em funil, liberto-lha
Para se explodir como estrelas em reticência...

E fica vago, tempo distorcido
Em mesma mentira dos perfumes
Piscada na noite em que vejo lumes
O Céu fulminou o dia abatido

Rides de minha dúvida
Porque insisto, busco buscar
Certezas que me fazem falhar

Os mistérios que conheço
Deixo-os por perto
Vejo-os apenas do alto.

E as estrelas por baixo do céu que esconde a terra...

Círculos flutuantes em uma sala esférica
Deslumbro o infinito apenas pela finitude...

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