Que agora retorno pelo hábito
Repetindo, repito além do repetido
Claro que sei o preço
É maior que imagino.
Se não, ao máximo quase lá
Me desfaço aos muitos
Não me lembro dos dias
Em que me importava lembrar.
Insisti nas reticências
Prefiro o inacabado...
Perdi as referências
O meu tema é indefinido
Não pelo mistério
Talvez pela fraqueza
Mas digo a todos: não é nada.
Entre a dor e este nada
Eu ficaria com a dúvida
(Sofrer por absolutamente nada)
Pois o mundo conspira
Contra os que não escolhem...
Minha auto-indulgência é justificar
Tanto a mim quanto ao que não sou
Tem sido, na verdade, uma penitência.
Mas que me é a verdade?
Preciso da mentira, do intocável
Das coisas que não me pertencem
E isso me inclui a mim mesmo
Querer fora de mim, poder dentro de alguém.
(Entenda como quiser)
Que me importa o que penso?
E um triunfo, que me importa?
Do subsolo, minhas dores
Da memória, qualquer felicidade.
O sangue que desejo dos outros
É a imagem que não vejo no espelho
Preciso do que há de bom em alguém...
Sem coração e sem partido
Me resta apenas uma garganta fechando.
Eu poderia continuar dizendo
O que já foi dito
Eu poderia não ter escrito nada
Pois o belo me é o branco
De toda possibilidade ainda não traçada.
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