10/10/2011

Teatro sem vampiro

Que agora retorno pelo hábito
Repetindo, repito além do repetido
Claro que sei o preço
É maior que imagino.

Se não, ao máximo quase lá
Me desfaço aos muitos
Não me lembro dos dias
Em que me importava lembrar.

Insisti nas reticências
Prefiro o inacabado...

Perdi as referências
O meu tema é indefinido
Não pelo mistério
Talvez pela fraqueza
Mas digo a todos: não é nada.

Entre a dor e este nada
Eu ficaria com a dúvida
(Sofrer por absolutamente nada)
Pois o mundo conspira
Contra os que não escolhem...

Minha auto-indulgência é justificar
Tanto a mim quanto ao que não sou
Tem sido, na verdade, uma penitência.

Mas que me é a verdade?
Preciso da mentira, do intocável
Das coisas que não me pertencem
E isso me inclui a mim mesmo
Querer fora de mim, poder dentro de alguém.

(Entenda como quiser)

Que me importa o que penso?
E um triunfo, que me importa?
Do subsolo, minhas dores
Da memória, qualquer felicidade.

O sangue que desejo dos outros
É a imagem que não vejo no espelho
Preciso do que há de bom em alguém...

Sem coração e sem partido
Me resta apenas uma garganta fechando.

Eu poderia continuar dizendo
O que já foi dito
Eu poderia não ter escrito nada
Pois o belo me é o branco
De toda possibilidade ainda não traçada.

Nenhum comentário: