28/03/2011

III

Sinos agudos e abafados em surdina...

Ele a carrega adormecida em seus braços
O pequeno elevador sobe lentamente
Luz diáfana aos olhos, intermitente
"Quase lá" ele pensou, aos estilhaços...

Mas engoliu o choro.

IV

O som de um pântano distante, insetos em sinfonia...

O guerreiro enfraquecido a aguardar
A besta gigante ronda em sua procura
Acabou por impingir a si esta tortura
Se atreveu, por aventuras, a se encorajar

Aguarda iminência apenas com seu cansaço...

V

Se juntaram todas as noites mal dormidas...

Sonho distante que veio de outro sonho
Piscinas límpidas que no escuro brilham
Os mesmos olhos que outras escuras viram

O quase-sono que me veio em um clarão...

VI

Me esqueci do submundo que me veio em terra...

Aflui abaixo de meu consciente e é mistério
Em qualquer momento meio eis que me vem
Uma infância enterrada de todo meu aquém...

E da terra estéril nem mesmo caminho ou estrada...

VII

Tudo que me restou de qualquer coisa como que um segundo
Foi talvez mais que este momento que agora me é primeiro...
Castelo de areia feito no escuro que se desfaz em um roteiro...
Me esqueci dos pores de sol de um lago qualquer espelhado.

E o meu reflexo era sombra opaca do verdadeiro
Entreaberto em qualquer estrelado céu ao meio
Do que esqueci, mas que o amanhã então me veio
Sem lembranças de um dia que não passa por inteiro

Dia longo e curto que por si permitiu estorvo
Me esqueci até de esquecer completamente
Que em partes muito se sente e me parece novo.

Ainda espero pelo velho que não me chegou
Como um menino novo em deja vu alheio
Em um mapa da cidade que conhecer esperou...

Perdoe-me não me sentir inteiro
Ao máximo quase lá.

Mas o que é quase para alguém que só se lembra aos meios...

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