31/03/2011

Ridiculamente desavisados
Desavisadamente ridículos

São os carros-parte-de-mim que passam pelas madrugadas não dormidas

E também os latidos-parte-de-mim dos cães quaisquer coisas das madrugadas dormidas.

Eu sou a hora em que se compra pão antes da aurora.
E também não sou semáforo em piscadas amarelas
Nas tardes de navio engarrafado do escritório empoeirado
Denunciado pela luz ali ou aqui de qualquer permissão persiana...
Sou o divórcio de um casal que antes foi feliz
E também não sou o acidente que permitiu
Que aparecesse em foto alheia tal casal, desconhecido
Mas eis que a olho e fito a dupla de sorrisos
¨Provavelmente tinham acabado de se conhecer¨, penso comigo
Penso em muitas coisas e que podia ser, na verdade,
Conciliação de amores que não se viam desde nunca.
É que às vezes a saudade vem, penso, num sorriso...
Sou os farelos que os pombos rejeitaram de alguém disposto
Não sei o que grãozinho que um levou consigo.
Mas não sou a criança que presenciou isso
E também não sou sua primeira queda de bicicleta
Talvez o asfalto que a ralou o joelho
Ou o impacto que permitiu a quebra de um osso...
Mas não posso ser preocupação de mãe
Não posso ser as chegadas tardias de um filho adolescente
Seu primeiro porre, só se fosse pra afogar minhas mágoas...
Talvez a bebida barata deixada pela metade em bar vagabundo.

Alguma lua intrometida propondo lembranças mal vindas...

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