I
Barulho do mar, grilos, notas aleatórias de um piano, murmúrios de conversas, noite, em surdina...
Se eu realmente soubesse mentir
Não me enganaria nem uma vez...
Se eu realmente soubesse o que é verdade
Não duvidaria de qualquer coisa que penso.
Não conseguir fixar os olhos no próprio reflexo dos olhos...
Que também me fixariam os olhos se eu conseguisse.
Achar que o sonho mal lembrado é a maior importância que se pode ter...
Se eu soubesse o que saber, onde que me ficariam as dúvidas?
E se eu duvidasse até da dúvida, teria que no fundo então acreditar em algo...
Não conseguir respostas para as próprias perguntas que me faço...
Quem sou eu, quem sou eu... Sou qualquer coisa além de mim?
E o que sei do que está além de qualquer coisa além de mim?
Sou qualquer coisa mas prefiro não ser nada.
Não saberia ser alguma coisa, não...
Vou acreditando em qualquer coisa, duvidando de qualquer dúvida...
Mas nem por isso devo ter certeza...
Tempo morto, só vou ocupando a cabeça com vazios...
Nem sei se sou, nem sei se fui, se serei
Agora não parece que estou a ser, mas e depois, será que será?
Será que algum futuro acaba ficando pra trás?
E algum passado meu nem chegou a acontecer?
Sim...
O que vivo é não aceitar que passado e futuro estão ao mesmo tempo juntos...
Sabe aquela menina bonita que foi deslumbre logo na primeira vez? Já a conhecia.
Sabe aquela noite terrível que não conseguia esquecer? Nunca existiu.
Vou em caminho de caminho nenhum, caminho qualquer, que me importa...
Caminho.
O fim da estrada, não sei, não sei sequer se tem
Mas sei que em mim ou nela haverá um fim, sim...
Que ele existe entre eu e ela e é também o impedimento
Que nos permite desconhecer um ao outro...
No máximo, um talvez.
O medo do nada, sim, mas não sei qual disso o fim...
O início já não me lembro, vai ver é como depois que acaba.
Depois que acaba, começa, não é mesmo? Ou vai ver fica acabado.
Vai ver começa acabado e nunca percebi.
O que percebo é onda que as ondas fizeram, que agora fazem outras ondas, cada vez menores...
Por que me parece que algum dia que não veio ou que passou está a acontecer exatamente agora?
Não sei se gosto mais de pergunta ou de resposta, afirmar ou negar. Mas sem um oposto, como saberia do outro?
Acho que gosto mesmo de perguntar.
Eu queria continuar, queria continuar para sempre
De não haver para sempre que bastasse...
Vou acabar parando, não sei quando, mas vou.
Engraçado que quando me vêm ideias às vezes não as sei escrever
E quando não sei o que escrever, sinto que posso continuar
Como se o tempo não existisse.
E pelos segundos que achei que não existiam, decidi continuar...
no vácuo de pensamentos, inspirações
Decidi relatar o que não encontrei
O afastamento lento de mim mesmo.
Não devo estar suficientemente a esmo
Para encontrar um rumo
E em mim poder dizer que achei...
27/03/2011
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